Aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil

Enviada em 16/02/2020

A história sempre contou com massivos entraves na contenção da mortalidade infantil, dentre os quais destacam-se, invariavelmente, as péssimas condições sanitárias e a inabilidade de serem contidas mazelas de ordem biológica, como fica claro na avaliação de relatos anteriores à invenção da antissepsia e da vacina, ainda no século XIX. Entretanto, no espectro contemporâneo, apesar de superados os problemas sanitários, especialmente no Brasil, ainda há a ameaça do negacionismo à imunização por vacinas e a questão da pouca visibilidade quanto à assistência de mães adolescentes.

Em primeiro plano, uma sociedade mundial tão presente na Era da informação nunca esteve mais cega à ameaça negacionista. De acordo com dados divulgados pela revista Superinteressante, antes do século XIX, a Europa contava com uma taxa de mortalidade infantil de 30%, só a Alemanha, 50%; hoje, os índices globais estão abaixo de 4,3%. Apesar de tudo, cresce o número de pais que opta por não vacinar menores de idade. No início do ano, no Rio de Janeiro, um bebê de apenas oito meses, residente de um abrigo, morreu em decorrência do sarampo, já que teria adquirido a doença antes mesmo da idade recomendável, os seis meses de idade, um verdadeiro choque para os que negligenciam a importância da imunização infantil.

Ademais, o destratar de questões como a gravidez precoce também colabora com o aumento das taxas de mortalidade de infantes brasileiros, uma vez considerado o despreparo biológico das então mães para carregar ambos a criança e a responsabilidade de mantê-la saudável em seu ventre. A garantia de um acompanhamento pré-natal de qualidade -não apenas, mas principalmente- a jovens gestantes em idades não ideais ao processo de gestação e, sobretudo, em situações de vulnerabilidade social e financeira, tem exponencial capacidade de expurgar os desfavoráveis índices de falecimento de  menores no Brasil.

Dessa maneira, fica evidente a contribuição de recursos como a vacina e a antissepsia para a contenção da mortalidade infantil na Europa e no mundo, além da importância de auxiliar a gestação de mães vulnerabilizadas pelo então quesito idade. Portanto, é de responsabilidade do Ministério da Saúde assegurar  a imunização de todas as crianças admitidas em hospitais, escolas, creches e demais instituições de domínio público e, ainda, delegar acompanhamento psicológico e pré-natal de gestantes em geral, contudo, com prioridade às menores de idade, a partir do direcionamento de verbas e licitações aos órgãos envolvidos nesses processos de maneira a mitigar, definitivamente, a questão da mortalidade infantil no país.