As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 28/08/2022
O quadro expressionista “O grito”, de Edvard Munch, retrata a inquietude e a desesperança refletidas no semblante da personagem central, inserida em uma atmosfera melancólica de intensa aflição. De maneira análoga ao retratado na obra, no que concerne a contemporaneidade brasileira, observa-se a difusão de sensações angustiantes entre os jovens, uma vez que muitos se deparam com um futuro profissional incerto. Tal cenário antagônico é fruto não só do desenvolvimento tecnológico, mas também da estagnação do sistema acadêmico.
Antes de tudo, é imperativo ressaltar a crescente automação de postos de trabalho como promotora do problema. Conforme alega Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”. É evidente que as inovações científicas alteraram profundamente as bases sociais, inclusive no âmbito profissional, visto que muitas funções, caso não tenham desaparecido, passam a ser exercidas por máquinas, acarretando o desemprego estrutural. Assim, há uma frequente preocupação em se voltar para profissões cujo risco de mecanização seja baixo, mas tais possibilidades demonstram-se insuficientes e também marcadas por certa instabilidade.
Ademais, é fulcral pontuar que o viés deriva do obsoleto modelo educacional. O conceito de “Mundo BANI”, desenvolvido pelo antropólogo Jamais Cascio, evidencia a realidade social, dotada, graças à globalização e ao avanço tecnológico, de constantes mudanças e de rapidez em sua evolução. Diante disso, esse panorama volátil, complexo e ambíguo exige dos cidadãos incorporados ao mercado de trabalho novas capacidades, como flexibilidade, adaptabilidade, criatividade e resolução de problemas. No entanto, o modo de ensino tradicional não aborda tais aptidões, formando indivíduos desabilitados para o futuro.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham mitigar a fragilidade presente no campo trabalhista. Assim, cabe ao Ministério da Educação, através de uma nova grade curricular, estruturar um outro método escolar. Além de estimular alunos com posturas ativas, é preciso adaptar o setor às exigências modernas, promovendo liderança, cooperação, relações interpessoais e competências emocionais, a fim de que o jovem esteja preparado para o mercado profissional. Somente assim, o corpo social se distanciará da pintura de Munch.