As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 10/03/2020
Vai, Carlos, ser gauche na vida!
Na Idade Média era uma honra ao cavaleiro sentar-se ao lado direito do monarca. Embora recheada de perigos, essa ocupação provocava a inveja de camponeses, pois trazia nobreza, estabilidade e riquezas materiais. Nos dias atuais, os jovens seguem esse raciocínio e, no momento do vestibular, escolhem profissões tidas por sólidas, como Direito ou Medicina. Trata-se equívoco, afinal, o mundo contemporâneo sofreu drástica mudança.
Em primeiro lugar, é importante considerar que, em 2018, o Fórum Econômico Mundial previu que, nos próximos anos, os serviços repetitivos e rotineiros serão substituídos por tecnologia digital. Nessa esteira de raciocínios, temos o software Watson da IBM, desenvolvido para responder perguntas jurídicas (sendo 30% mais eficiente nas respostas que os seres humanos). Vale lembrar que esse programa está sendo adaptado para ser alimentado com exames e radiografias que diagnosticarão doentes. Logo, carreiras tradicionais, como advogados ou médicos, já estão ameaçadas.
Em contrapartida, a sociedade tem mostrado a necessidade de serviços personalizadíssimos. Por exemplo, depois do movimento #metoo, quando mulheres denunciaram abusos sexuais na indústria de entretenimento, criou-se a função de coordenador de cena íntima, a qual é responsável por interceder a favor dos interesses dos produtores e dos atores. Mais: há necessidades de funcionários não-binários e de diferentes etnias a fim de abranger a maior parte da diversidade cultural existente no mercado.
Portanto, por mais romântico que seja cavalgar em um cavalo branco, é preciso reconhecer que a tecnologia tem substituído serviços tradicionais e rotineiros e as oportunidades de trabalho diferenciadas. Por isso, é importante que as escolas, por meio de seus professores ou psicólogos, façam testes vocacionais e esclarecimentos sobre a evolução do mercado de trabalho, de modo a esclarecer os jovens estudantes. Afinal, na trilha de Drummond, será melhor ir à esquerda do que sentar ao lado do rei.