As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 29/02/2020
Na Idade Média existiam as “corporações de ofício”, associações criadas para regulamentar as profissões das cidades. Nessa época, os bens eram manufaturados e uma pessoa era encarregada de toda a etapa de produção. Com o passar do tempo e do avanço tecnológico, tal processo de produção se modificou, novas profissões surgiram e ainda surgem a todo instante, o que acarreta muitos desafios. Por conta disso, é indispensável transformar a educação das novas gerações e impedir que a desigualdade social se acentue ainda mais no país.
A princípio, é necessário entender que as profissões do futuro serão ocupações das crianças de hoje. Sob essa ótica, o escritor Alvin Toffler apontou que o “analfabeto do século XXI é aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender.” Dessa forma, é imperativo que haja uma adaptação para conviver com as transformações e uma das maneiras de fazer isso é modificando os modelos de educação das crianças. Logo, é importante trazer para junto da escola a tecnologia, pois assim as novas gerações já crescerão imersas nesse cenário. Consequentemente, elas terão suas chances aumentadas de identificação com as novas profissões, bem como diminuídas suas possibilidades de analfabetismo segundo o pensamento de Toffler.
Somado a isso, é primordial se atentar ao fato de que a obsolescência de antigas profissões pode acentuar o perfil desigual do país. Nesse sentido, o avanço da tecnologia e da inteligência artificial automatiza postos de trabalhos manuais como o de cobradores, por exemplo. Por conseguinte, pessoas, principalmente de classes inferiores, perdem seus empregos, o que caracteriza o conceito sociológico de “desemprego estrutural”. Além disso, a falta de oportunidade de capacitação para atender as novas exigências ratifica as disparidades sociais existentes e agrava a pobreza. Depreende-se, então, que é necessário ampliar as possibilidades, visto que o Brasil é um país democrático e, por isso, as oportunidades precisam estar ao alcance de todos.
Fica claro, portanto, que os desafios das profissões do futuro impactam a estrutura social. Por isso, o Ministério da Educação deve implementar uma educação tecnológica nas escolas. Isso pode ser feito por meio de cursos paralelos à ementa curricular, nos quais técnicos de informática ensinarão as crianças a programar e criar algoritmos, a fim de se aperfeiçoar para as futuras profissões. Ademais, cabe ao SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - oferecer capacitação para os trabalhadores mediante cursos gratuitos que ensinem a operar sistemas de software, com vistas a melhorar os currículos e aumentar as chances de recolocação. Assim, as novas gerações ficarão mais bem preparadas e a desigualdade social não será agravada.