As profissões do futuro e seus desafios
Enviada em 27/02/2020
No limiar da segunda metade do século XX, a chamada Terceira Revolução Industrial começou a mudar o imaginário das populações pelo mundo, induzindo o público a querer novas coisas e a vislumbrar uma vida mais confortável. Nesse contexto, abriu-se novos caminhos para o surgimento de diversos novos ofícios no mercado de trabalho, o que proporcionou aos diversos setores da sociedade uma nova chance de ingresso na vida mercantil nos países. Paralelamente, algumas profissões que eram muito requisitadas passaram a ser precindíveis, uma vez que a automação ocupou o lugar de muitos trabalhadores manuais.
Dito isso, vale uma análise sobre a conjuntura do surgimento de novos empregos no mundo atual. Segundo dados coletados pelo Fórum Econômico Mundial, cerca de 65 por cento das crianças que hoje estão no primário atuarão futuramente em profissões que, no presente momento, são inexistentes. Todo esse cenário aponta para um futuro onde as formas de pensar, agir e sentir o meio circundante serão profundamente alteradas, fato que exige, já nos dias atuais, uma integral preparação dos cidadãos para uma imersão benéfica nesse novo mundo de ofertas de serviços que rapidamente se aproxima.
Supracitados alguns dos elementos integrantes da temática destacada, vale mencionar, ainda, o fator psicossocial que envolve toda a questão da mudança de mentalidade das gerações sobre o mundo do trabalho. O sociólogo Zygmant Bauman afirmava que uma das principais características da modernidade é o estabelecimento de relações líquidas, isso é, relações interpessoais que não envolvem um contato efetivo ou um compromisso real e inabalável. Com essa assertiva o pensador sintetizou a questão sine qua non que envolve a contemporaneidade, que é a perda do contato entre as pessoas, pois, na atualidade, até as profissões estão caminhando para uma tendência de distanciamento dos indivíduos, proporcionando um quadro de solitude muito perigoso.
Dito isso, é observável que muitas são as questões que envolvem o tema das futuras profissões, por isso faz-se necessária a criação de políticas públicas para regular e tranquilizar as pessoas sobre as incertezas inerentes ao mundo atual. Portanto, o Governo Federal deve criar, no Plano Nacional de Educação, o estabelecimento de metas que visem incorporar as novas concepções de mundo nos atuais estudantes, com o fito de prepará-los para serem inseridos no futuro mercado laboral, fornecendo-lhes mais meios de ação e adaptação às mudanças em voga. Ademais, cabe aos grandes empresários a criação de espaços para recreação nas empresas, na finalidade de instigar o contato real entre os funcionários, diminuindo, por conseguinte, o estado de solidão e individualização no trabalho.