As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 13/10/2020

A partir da Revolução Digital, diversos povos passaram por profundas transformações, não só econômicas, como, principalmente, sociais. Embora a sociedade brasileira atual apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na questão das moedas virtuais e a revolução das relações econômicas. Dessa forma, observa-se que as inovações tecnológicas refletem um cenário desafiador, seja em virtude das práticas ilícitas, bem como, pela ilusão de retorno financeiro ao comprar as criptomoedas.

Em primeiro plano, é preciso atentar para as práticas ilícitas presente na questão. De acordo com a Receita Federal, a escalada no volume das transações exige dados mais qualificados a serem analisados pelas autoridades. Diante de tal contexto, o anonimato que o ambiente virtual promove, pode ser visto como uma grande vantagem para àqueles que usam dessa ferramenta com o intuito de cometer crimes de corrupção, sonegação e lavagem de dinheiro. Consequentemente, acaba por dificultar o trabalho das autoridade, fazendo-se mister medidas de fiscalização, por exemplo: informar em cada operação dados como a data da operação, o tipo, e os titulares da transação.

Vale ressaltar, também, que a ilusão de lucro fácil evidencia o imediatismo que permeia a contemporaneidade. Segundo Zygmunt Bauman, a liquidez da sociedade moderna se pauta no imediatismo. De acordo com a perspectiva da sociólogo, a velocidade que caracteriza a cultura atual configura-se como um grave obstáculo que atinge as diversas áreas da ação humana. Sendo assim, a especulação - por intermédio das moedas virtuais - é cercada por elevados riscos de perdas, em que poucos realmente ganham e a maioria perde. Sob essa lógica, os indivíduos são atraídos pela prerrogativa de ganhos rápidos, por não possuírem conhecimentos mínimos a respeito educação financeira, o que acaba por gerar frustração ao não terem os resultados esperados.

Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre a problemática. Para esse fim, é preciso que Receita Federal, em parceria com o Banco Central , criem mecanismos de fiscalização, por meio de leis mais rígidas na compra e venda das moedas nas casas de câmbio, sobre a identidade dos usuários e os destinos das transferências, com o objetivo de atenuar práticas ilícitas nesse meio. Tais campanhas devem refletir, com efeito, a atuação desses interesses em um maior controle sobre os dados de quem pratica atos criminosos, para que a população possa decidir criticamente quais são as prioridades que promovem um bem-estar coletivo. Em suma, é preciso que atue sobre o problema, pois, como defendeu Simone de Bevouir:‘‘cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos".