As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 03/09/2020

Na década de 30, com a quebra da bolsa de Nova York, muitos afortunados perderam expressivas somas no mercado de capitais. Nesse contexto, Keynes, baseado no equilíbrio produtivo, incentivo ao trabalho, serviços, renda e bem-estar social, devolve a pujança econômica aos Estados Unidos da América. Na contemporaneidade, vislumbrando a acumulação de riquezas, com lucros elevados em curto espaço temporal, despreocupados com o risco envolvido nessas aplicações, inúmeras pessoas e corporações investem em moedas virtuais, na esperança da revolução nas relações econômicas.

Consoante ao pensamento de Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Nessa perspectiva, o processo de incentivo ao consumismo e a valorização do ter e do acúmulo de bens materiais provocam a alienação do ser humano. Dessa forma, a aplicação em moedas virtuais pode ocasionar a total perda dos valores aplicados, assim como, o ocorrido recentemente com os investidores da Telex Free, a qual prometia elevada remuneração aos seus investidores, mas com o passar do tempo configurou-se em uma pirâmide financeira.

Ademais, Immanuel Kant afirmava que, “o homem é aquilo que a educação faz dele”. Desse modo, e pelo exemplo americano, percebe-se que a riqueza se fundamenta nas atividades produtiva e laboral e na educação financeira. Por essa razão, as mudanças econômicas, as quais a humanidade perpassou, sempre foram alicerçadas no processo produtivo e nas relações de trabalho. Sendo assim, a especulação - por intermédio dessas moedas - é cercada de elevados riscos de perdas, em que poucos realmente ganham e a maioria perde, haja vista a acumulação de capital estar ligada “a produção e ao trabalho.

Portanto, a fim de evitar os maléficos resultados de um possível estouro das bolhas da internet e das moedas virtuais, é necessário que a sociedade civil organizada, associações comerciais e industriais, sindicatos e ONGs promovam grupos de estudo, pesquisa e divulgação sobre essa temática. Em outra ação, as escolas, junto às comunidades, devem desenvolver projetos que abordem os processos econômicos e as relações de consumo. Tais ações visam formar indivíduos com pleno desenvolvimento cognitivo e biopsicossocial, capazes de atuar na transformação da sociedade, com o objetivo de produzir um corpo social mais justo, equânime e que priorize o bem-estar coletivo, ao invés da acumulação financeira.