As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras

Enviada em 01/11/2024

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema político brasileiro, assegura os direitos e o bem-estar da população. Entretanto, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra as dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras, verifica-se que esse preceito está constatado na teoria, mas não desvelado na prática. Dentre os ínumeros aspectos que evidenciam essa problemática, destacam-se a negligência estatal e a passividade social.

Primeiramente, nota-se a inoperância governamental como fator agravante no aumento das queimadas florestais. Nesse escopo, a antropóloga brasileira Lília Schwarcz destaca que “o Brasil pratica uma política de eufemismos”, diminuindo a importância das mazelas sociais para não ter que lidar com elas. Dessa forma, ao deixar de fiscalizar de maneira eficiente os indivíduos que provocam queimadas e na falha ao aplicar multa, assim como é prescrito na legislação, o Poder Público se omite, causando tranquilidade naqueles que descumprem a lei, já que não são punidos, e insatisfação a todos que sofrem com os resultados dessas queimadas.

Ademais, cabe ressaltar que a transgressão dessas pessoas que ateiam fogo em matas e florestas se perpetua graças à omissão do corpo social que normaliza esse entrave. Sob esse viés, a filosófa alemã Hanna Arendt, a partir do conceito “banalidade do mal”, afirma que uma atitude ruim praticada repetidas vezes se torna invisível, o que inviabiliza na luta para atenuar o problema. Desse modo, ao se eximir perante a proteção ambiental, deixando o incêndio florestal intencional se tornar uma prática frenquente, ao não denunciar esses maus hábitos, a sociedade contribui para que ocorra cada vez mais queimadas propositais.

Em vista dos fatos pré-citados, é necessário que hajam intervenções para diminuir tal questão que ainda está presente no Brasil. Como o Ministério do Meio Ambiente incentivar uma fiscalização mais rigorosa e em parceria com o Ministério da Educação ampliarem discussões a respeito das consequências trazidas pelas queimadas, por meio de palestras divulgadas nas redes midiáticas, forma que possui maior alcance de pessoas, a fim de orientar na importância de não atear fogo próximo a florestas e realizar as denúncias, para que a lei seja cumprida.