As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras
Enviada em 11/10/2024
Na obra ’’ Ensaio Sobre a Cegueira’’, de José Saramago, é retratado uma sociedade, na qual os indivíduos tornam-se, paulatinamente, cegos. A obra retrata a falta de altruísmo e cooperação entre os personagens, os quais passam a se importar cada vez menos com o bem estar coletivo. Ao transpor a ficção a realidade, nota-se severa semelhança ao analisar as dificuldades impostas para reduzir as queimadas nas florestas brasileiras, já que, os indivíduos responsáveis por tais fenomênos não se preocupam com o meio em que vivem, nem como tal desastre afeta os indivíduos ao seu redor. Assim, pode-se dizer que tal conjuntura está intrinsicamente relacionada à falta de fiscalização e impunidade.
Em primeira análise, cabe ressaltar a falta de fiscalização como formentador da problemática. Segundo Barnett, o Estado é incapaz de obedecer suas próprias leis, sendo ineficaz como legislador. Assim, ainda que o Governo tente atenuar os impasses e condernar esses crimes ambientais por meio da legislação, na prática, tal ação, muita das vezes, não ocorre como esperado. Além disso, a insuficiência de fiscalização nas áreas de preservação ambiental e nas áreas remotas acaba facilitando a ocorrência de queimadas ilegais. Dessa forma, é imprescindível analisar essa questão a fim de reverter esse quadro.
Outrossim, vale salientar a impunidade como potencializador do conflito. Ao relacionar a teoria da Banalidade do Mal, de Hannah Arendt, pode-se dizer que a banalização das queimadas, em que responsáveis pelos crimes não são punidos, impulsionam e motivam essa prática, tornando-a em algo comum dentro da sociedade. Ademais, é dever das autoridades prover segurançã ao meio ambiente, assim como aos cidadãos, que podem ter sua saúde comprometida em razão das queimadas. Nesse víes, é indiscutível a perpetuação do problema em detrimento da ausência de punição.
Portanto, denota-se de práticas governamentais para solução do conflito. Assim, cabe ao Estado - em sua função de promotor do bem estar social - fiscalizar corretamente esses crimes por meio da implementação de tecnologias de monitoramento, a fim de reduzir drasticamente as queimadas e mitigar a cegueira que permeia essa questão, na perspectiva de Saramago.