As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras

Enviada em 23/09/2024

Na obra “O Princípio Responsabilidade”, o filósofo Hans Jonas destaca a neces- sidade de equilibrar a ética com as questões ambientais. Essa perspectiva é es-sencial ao avaliar os obstáculos para conter as queimadas no Brasil. Nesse contex-to, é vital examinar a responsabilidade ética em relação ao desmatamento por fogo, tanto sob a ótica da inação governamental, quanto do interesse mercantil.

À vista desse problema, o Estado relega a fiscalização das leis ambientais que protegem os biomas do fogo. Nesse aspecto, John Locke afirma que a sociedade e o Estado firmam um contrato social, no qual a máquina pública deve garantir sus-tentabilidade. Entretanto, o cenário destoante configura a quebra desse contrato, pois o governo não fornece o aporte financeiro para a manutenção dos órgãos de supervisão ambiental. Assim, a falta de comprometimento com a fiscalização per-mite que práticas criminosas de queimadas persistam. Por exemplo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis alega falta de in-vestimento em servidores, resultando em apenas um fiscal para cada mil quilôme-tros quadrados. Ora, é nítida a necessidade de investimento na gestão ambiental.

Ademais, a predominância de interesses econômicos sobre a natureza constitui um entrave significativo à contenção do ateamento de fogo nas florestas. Sob a perspectiva da ética kantiana, o meio ambiente deve ser tratado como um fim em si, não como um meio para atingir objetivos egoístas, como a busca por lucro. Des-sa forma, as queimadas frequentemente ocorrem para fins econômicos, exemplifi-cadas pelo desmatamento de áreas destinadas ao cultivo de soja, onde o interesse financeiro resulta na degradação do solo. Portanto, esse enfoque utilitário, susten-tado pela expansão do capital, dificulta, também, a supressão das queimadas.

Diante do exposto acerca dos obstáculos para conter as queimadas no Brasil, é imperativo que medidas sejam tomadas. Logo, o governo, responsável pelo bem-

-estar social, deve alocar 10% do Produto Interno Bruto para um programa estra-tégico nacional de combate a incêndios florestais. Esse programa deve, além de au-mentar o quadro de funcionários nos órgãos de preservação, investir em equipa-mentos de proteção individual e em tecnologia de ponta para a detecção rápida de

chamas. Dessa maneira, existirá o compromisso com a ética de Hans Jonas.