As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras
Enviada em 22/09/2025
Em Primavera Silenciosa (1962), Rachel Carson alertou sobre os riscos da ação humana descontrolada na natureza, reflexão atual diante das crescentes queimadas no Brasil. Biomas como a Amazônia e o Cerrado sofrem com o aumento de focos de incêndio, que afetam a biodiversidade e a qualidade de vida. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou em 2024 o maior número de queimadas em duas décadas. Esse cenário revela que as dificuldades para frear tais práticas estão ligadas à fragilidade da fiscalização e à permanência de práticas culturais e econômicas que favorecem o uso do fogo, ameaçando a preservação ambiental.
Um dos principais entraves está na deficiência da fiscalização. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sofre com cortes de verbas e poucos fiscais, o que limita o alcance das ações. Assim, áreas desmatadas e queimadas ilegais não recebem monitoramento adequado. Essa realidade contribui para que infratores permaneçam impunes, incentivando a continuidade dos crimes ambientais. O aumento de 60% nos focos de calor na Amazônia em relação ao ano anterior evidencia que, sem o fortalecimento da fiscalização, os incêndios tendem a crescer.
Outro obstáculo é o aspecto cultural e econômico que mantém o fogo como ferramenta de trabalho. Agricultores e pecuaristas recorrem às queimadas por serem práticas rápidas e baratas de renovação do solo, ignorando impactos a longo prazo. Essa escolha persiste pela falta de políticas que incentivem métodos alternativos, como o plantio direto. Além disso, o clima seco e quente em certas épocas do ano amplia o alcance das chamas, tornando a contenção mais difícil. Logo, a junção de fatores sociais e naturais dificulta a redução do problema.
Portanto, é necessário agir contra as queimadas. O governo federal deve ampliar verbas e contratar fiscais para reforçar a fiscalização ambiental. O Ministério da Agricultura, em parceria com universidades, precisa oferecer cursos gratuitos a produtores, ensinando técnicas que substituam o uso do fogo. Já a mídia nacional deve promover campanhas de conscientização em rádio, TV e internet. Assim, será possível reduzir os incêndios e preservar os biomas brasileiros.