As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 22/06/2020
O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, descreve a reflexão angustiante do eu lírico ao lidar com um obstáculo presente em sua trajetória. Fora do contexto drummoniano, o jovem brasileiro encontra-se em uma circunstância semelhante, na qual o impede de prosseguir para a vida da maioridade independente: os desafios para o ingresso no mercado de trabalho. Tal problemática persiste devido à falta de experiência dos jovens e à recessão econômica.
Em primeiro lugar, é importante destacar que as exigências profissionais feitas pelo mercado de trabalho estão distantes da realidade da maioria dos jovens brasileiros. A respeito disso, o filme sul-coreano, “Parasita”, relata a história de uma família desempregada, que apesar de possuir jovens talentosos não detém meios e influência para obter emprego, e consequentemente, sustentar-se financeiramente de forma justa. Semelhante ao cenário da obra cinematográfica, a grande parte da juventude tupiniquim encontra-se separada das vagas de emprego, uma vez que, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a probabilidade dos jovens sem experiência conseguir trabalhar é 64% menor que a dos jovens com currículo e experiências avançados. Isso constituí-se um problema, visto que os cursos profissionalizantes são concentrados nas mãos dos adultos privilegiados, acarretando em desemprego e instabilidade da base popular.
Em segundo lugar, é evidente que a recessão econômica reduz as chances da conquista do primeiro emprego da juventude brasileira. Acerca dessa premissa, desde a Era Vargas, principalmente no final dos anos 1930, a dívida pública externa do Brasil aumentava, isso somado às inúmeras crises internacionais posteriores, colocaram o país um nível de instabilidade econômica alarmante, só melhorada após medidas reformadoras monetárias e legislativas, como o Plano Real. Esse cenário é semelhante ao atual brasileiro, no qual é responsável pela diminuição de investimento externo nas regiões nacionais, ocasionando uma redução das ofertas de empregos, sobretudo, à juventude inexperiente. Tal barreira deve ser revertida para a criação de novos empregos.
Diante dos fatos supracitados, percebe-se que medidas interventivas são necessárias. Para tanto, é preciso que o Governo Federal, por meio do programa “Novos Caminhos”, aumente o número de vagas do EaD (Ensino a Distância), para que mais jovens possam ser contemplados com os cursos profissionalizantes e superiores. Além disso, é necessário que esse programa governamental realize parcerias com empresas privadas, via estimulo fiscal com a redução de impostos, a fim de garantir a empregabilidade efetiva dos jovens. Dessa forma, o Brasil estará apto para prosseguir o caminho sem o empecilho no caminho da juventude brasileira.