As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 15/06/2020
Com os avanços socioeconômicos vivenciados pelo Brasil nas últimas décadas, foi ampliado o acesso ao ensino superior por classes mais baixas da população, antes privadas da obtenção de uma qualificação que permitisse o acesso a profissões não-manuais. Todavia, o crescimento da oferta de empregos não acompanhou a democratização do ambiente acadêmico, o que afeta o ingresso dos jovens no mercado de trabalho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o desemprego entre esse grupo é superior ao dobro da taxa geral. Sendo assim, convém analisar a falta de experiência dos recém-formados e a saturação do mercado como fatores que impulsionam essa questão.
Inicialmente, destaca-se que, segundo o revolucionário soviético Lênin, “a teoria sem a prática de nada vale, a prática sem a teoria é cega”. Analogamente, o mercado de trabalho atual não almeja essencialmente uma formação acadêmica, mas a capacidade efetiva de se exercer uma profissão habilidosamente. Isso porque, na lógica capitalista, o empregador preza pela experiência prática, competitividade e resultados lucrativos dos trabalhadores.Desse modo, gera-se uma queda no potencial competitivo dos jovens recém-qualificados, que resulta nas altas taxas de desemprego supracitadas. Logo, é necessária a promoção de uma formação que envolva não apenas a essência teórica da área de atuação dos graduandos, mas também a aplicação de seus conhecimentos à realidade.
Ademais, aponta-se que o crescente aumento do número de pessoas mais velhas na composição da População Economicamente Ativa (PEA) influi na redução substancial da rotatividade do mercado, tendo em vista a tendência de manutenção da ocupação dos cargos pelos mesmos trabalhadores por um longo período de tempo. Assim, os jovens que ingressam no mercado se deparam com concorrentes altamente qualificados e experientes, cujas chances de obtenção das vagas de empregos superiores. Somado a isso, segundo a economista Juliana Inhasz, devido à reforma da Previdência, os indivíduos terão que trabalhar por mais tempo para se aposentar, o que acentua a saturação do mercado.
Portanto, visando resolver a problemática supracitada, o Ministério da Educação deve promover a capacitação dos universitários às exigências de suas futuras carreiras, por meio de atividades que possibilitem a descoberta das habilidades individuais, para que sirvam como meio de diferenciação na concorrência a cargos futuros. Além disso, cabe ao Ministério do Trabalho, em parceria com o setor empresarial, desenvolver programas de atendimento aos recém-qualificados, com a ampliação de vagas para estágios e de cursos preparatórios ao exercício das profissões, a fim de facilitar a adaptação dessas pessoas no mercado. Dessarte, poder-se-á transcender as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho atual.