As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 27/08/2019

Um sonho, um capital, a dignidade

Em sua obra “Vidas Secas”, o autor alagoano Graciliano Ramos expõe um sonho de Sinhá Vitória: ver os filhos crescerem e conseguirem um emprego. Fora das páginas, é fato que o anseio de muitas famílias também é ver os filhos bem colocados no mercado de trabalho. No entanto, a falta de oportunidades para indivíduos de classes mais baixas cria, de maneira sistêmica, degraus entre as realidades dessa população e seus sonhos de melhoramento de vida.

Nesse contexto, reconhece-se que a persistência de desigualdades econômicas é fator sine qua non para dirimir as oportunidades empregatícias nas classes menos abastadas. De acordo com o sociólogo alemão Karl Marx, a sociedade enfrenta desigualdades sociais – como a dificuldade de alcançar bons postos de trabalho – porque, em suma, o proletariado nunca conseguirá qualificar-se de maneira equitativa à classe burguesa e, portanto, continuará a ocupar seu posto de proletário na cadeia produtiva. Desse modo, por mais que os jovens mais pobres tentem criar bons currículos para ingressarem no mercado, é insustentável esperar que eles terão iguais chances e iguais currículos aos dos filhos de famílias mais abastadas.

Além disso, pode-se entender que a falta de oportunidades é ainda mais acentuada quando o Estado omite seu papel de ponte entre esses jovens e as empresas que os contratariam. Segundo a lógica capitalista explorada por Max Weber, o trabalho é a ferramenta essencial para que uma sociedade desenvolva-se, fazendo com que o trabalho torne-se característica dignificante a qualquer indivíduo. Logo, se o Estado não atuar de maneira enfática, proporcionando elos entre os jovens e o mercado de trabalho, ele deixa de garantir o direito inalienável da dignidade humana a essa população, fazendo com que seu papel fundamental – que é guarnecer dignidade aos cidadãos – se extinga.

Destarte, torna-se evidente que medidas precisam ser tomadas a fim de ampliar ofertas de emprego e dirimir o a dificuldade de ingresso dos jovens no mundo empregatício. Para tanto, faz-se mister que o Ministério do Trabalho crie uma campanha estatal que vise, por meio de verbas públicas, auxiliar empresas privadas que ofereçam oportunidades a jovens recém formados a adentraram no mercado de trabalho. Ademais, cabe também ao Estado, promover, por meio de aulas gratuitas em periferias e bairros pobres, cursos qualificantes, objetivando dirimir, através de ações públicas as barreiras existentes entre as classes sociais e, portanto, proporcionar a realização de sonhos como os de Sinhá Vitória no romance “Vidas Secas".