As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 21/08/2019

Desde o período da crise econômica de 1929 e da primeira Revolução Industrial, a sociedade mundial experimentou os sérios problemas advindos do desemprego. No Brasil atual, marcado por ausência de oportunidades para a juventude, uma postura governamental equivocada na concepção do ensino e a falta de engajamento publico e privado para aproveitamento dessa mão de obra, reforçam o desemprego dentre os jovens. Logo, considerando a importância do assunto, urge do estado e da sociedade civil enfrentar o problema.

Em primeira análise, vale destacar que a preparação para o mercado de trabalho ainda é pautada em critérios avaliativos obsoletos e que não bastam para assegurar uma vaga de emprego. Assim, faz-se necessário estimular a valoração de competências e experiências de forma diferente, construindo um futuro trabalhador consciente com as inspirações do mercado e da sociedade que o cerca. Logo, além das aptidões técnicas e acadêmicas clássicas, é importante que a formação do jovem contemple experiências práticas e vivências profissionais, e que isso tenha peso em sua formação, porque certamente terá na escolha de um possível empregador.

Em segunda análise, conforme relatório da Organização Internacional do Trabalho, a maioria dos trabalhos informais, sem estabilidade e com pior remuneração, são ocupados por jovens. Nesse sentido, evidencia-se um grande dilema: o mercado não oportuniza a experiência e a exige como pré-requisito para a contratação convencional. A incoerência do sistema encontra respaldo na insuficiência de iniciativas público privadas para adesão de mão de obra jovem, solidificando o desemprego como uma realidade grave na sociedade. Embora a iniciativa privada esboce um engajamento nesse tocante, com programas como o “Jovem Aprendiz”, é relevante que tais iniciativas sejam intensificadas com apoio estatal.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de uma nova abordagem ao tema. Nesse sentido, caberia ao Estado, numa ação coordenada pelos Ministérios do Trabalho e Educação, reavaliar o formato do ensino superior e a formação da juventude para o mercado de trabalho, inserindo na grade curricular disciplinas que prestigiem a prática profissional, além disso, analisar a viabilidade na concessão de subsídios fiscais para empresas comprometidas em contratar jovens e estimular iniciativas com esse objetivo. Somente com o devido enfrentamento, a triste realidade do desemprego em massa ficará apenas nos registros históricos de 1929.