As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 01/05/2022
A personagem Lydia, da série americana “One Day At a Time”, imigrou de Cuba para os Estados Unidos como refugiada, e revela em um dos episódios, que se sentiu indesejada no país por não falar inglês. Fora da ficção, no contexto brasileiro atual, os refugiados, assim como Lydia, se sentem indesejados no país, e encontram enormes dificuldades para serem acolhidos. Nessa visão, destacam-se dois fatores: a xenofobia e a ausência de apoio governamental.
Em primeira análise, faz-se necessário analisar o Código Penal atual, que afirma que a discriminação por conta da procedência nacional é um crime. Contudo, a xenofobia persiste no Brasil, sendo um problema, por exemplo, no tratamento indevido recebido pelos refugiados. Outrossim, graças aos fatos supracitados, tais indivíduos possuem enorme dificuldade em conseguir emprego, como afirma a pesquisa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, e um dos fatores primordiais para tal, é a ação dos contratantes em descartar o currículo dos refugiados, sem ao menos chamá-los para entrevista. Fica claro, pois, que a persistente xenofobia é um empecilho para o acolhimento dos emigrados.
Ademais, é importante ressaltar a ausência de apoio governamental no que tange a situação dos refugiados no Brasil. Nessa óptica, inúmeros refugiados deixam seu país de origem devido guerras ou conflitos políticos, necessitando então, de acolhimento adequado, principalmente na saúde. Nessa linha de pensamento, conforme o diretor do Centro Ítalo Brasileiro de Assistência e Instrução as Migrações, faltam informações na língua nativa dos migrantes nos serviços públicos - como o SUS - essa limitação faz com que a pessoa migrante se sinta insegura. Por conseguinte, esse processo agrava as dificuldades para o amparo dos refugiados.
Torna-se imperativo, portanto, medidas que venham diminuir as dificuldades do acolhimento de refugiados. Para tal, é dever do Ministério da Educação - órgão responsável pela execução da Política Nacional de Educação - a promoção de palestras nas escolas, abertas a comunidade, acerca da xenofobia sofrida pelos refugiados, a fim de eliminar a intolerância. Ademais, é dever do Ministério da Saúde, a ampliação das informações em diversos idiomas nos postos de saúde, por meio da adição de folhetos traduzidos e da contratação de profissionais com uma maior gama de idiomas falados, a fim de erradicar as barreiras linguísticas encontradas pelos refugiados. Mediante a essas ações concretas, a realidade da personagem Lydia será apenas ficcional.