As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 13/05/2022

Na série “O Expresso do amanhã”, da plataforma Netflix, a segregação social den-tro da “locomotiva eterna”, como dizem os passageiros, é evidenciada com a exclu-são extrema de um grupo de pessoas, denominadas fundistas. Fora da ficção, os refugiados, ao redor do mundo, podem ser comparados aos tais fundistas, visto que são excluídos socialmente por, principalmente, xenofobia, culturas diversifica-das, entre outros, assim como retrata a série. Desse modo, é imprecindível que ha-ja uma maior visibilidade socioeconômica, e uma desmistificação cultural.

Em primeiro lugar, a deficitária assistência social global associado aos altos custos governamentais dificultam a inclusão desses indivíduos em países, no mínimo, ha-bitáveis. Nesse viés, o filósofo contratualista, Thomas Hobbes, afirma que o Contra-to Social é uma forma de possibilitar uma vivência harmônica e saudável entre o Estado e os indivíduos. Contudo, a falta de políticas públicas globais que auxiliem o acolhimento e reduza as dificuldades dos refugiados, representa uma ruptura no contrato proposto por Hobbes. Dessa forma, é evidente a intensificação da exclu-são desse grupo, resultando, ainda mais, nesse abismo social.

Outrossim, aspectos culturais e religiosos, muitas vezes, são grandes vilões para o favorecimento dos refugiados. Nessa perspectiva, a série, supramencionada, apre-senta a extinção da humanidade, restando somente os passageiros abordo de um trem, em que foi instalado uma brusca separação social, sendo os “fundistas” a classe mais miserável, de modo, que não podiam estabelecer contato com os de-mais. Em analogia, ao adentrarem em um novo país, os refugiados são, em sua maioria, repudiados e vítimas de preconceitos baseados em uma cultura estagna-da e conservadora. Prova disso, é o bloqueio grego violento em razão dos povos, fugidos de guerra, vindos da Turquia, como mostra o site “CartaCapital”. Com isso, o aumento, do número de pessoas desabrigadas e vulneráveis aumentará.

Infere-se, portanto, que medidas deverão ser tomadas para que haja uma digni-dade para os refugiados. Logo, a ONU ao lado do apoio estatal e cívil de países de-senvolvidos devem criar políticas públicas de acolhimento, por meio de aprimora-mento estrutural das bases de apoio, para que consiga comportar uma maior quantidade de pessoas, aliviando, assim, ao mínimo a dor e sofrimento vivido.