As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 20/11/2021
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. De maneira análoga a isso, esta tese somente é vista na teoria, pois, na prática, as dificuldades do acolhimento de refugiados permanecem em alta. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: negligência governamental e influência midiática.
A priori, evidencia-se a omissão do governo como agravante do revés. Sob essa ótica, o filósofo inglês Thomas Hobbes, em sua obra ‘‘Leviatã’’, defende a ideia de que o Estado tem obrigação de promover meios que auxiliem a coletividade. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as instituições governamentais não agem para a criação de medidas que resolveriam as dificuldades do acolhimento de refugiados. Bem como, o direcionamento de parte dos tributos arrecadados para a criação de departamentos acolhedores, retirando esta parcela social da condição de exclusão, fazendo jus à fama de país acolhedor. Logo, não é justo que a máquina pública protagoniza - com sua omissão de dever - a manifestação desse problema social no Brasil.
Ademais, é notória a influência midiática pela perspectiva de Pierre Bourdieu. Para o sociólogo francês, os mecanismos democráticos não devem ser convertidos em ferramentas opressoras. Observa-se, todavia, que os meios de comunicação, a exemplo das mídias tradicionais, revelam uma face opressora ao constantemente marginalizar os refugiados reforçando suas etnias e suas condições sociais em detrimento de estimular a conscientização massiva das pessoas na adoção da causa independente da origem étnica do indivíduo. Por conseguinte, parte expressiva dos usuários dessas redes tende a criar um preconceito interno de que todo refugiado de países ‘‘menos desenvolvidos’’ sejam más pessoas, desfavorecendo o acolhimento necessário. Logo, é necessário que a mídia faça valer o seu poder influenciador com vistas á edificação dos sujeitos quanto à questão do acolhimento dos refugiados.
Depreende-se, a adoção de medidas que venham a reduzir os entraves associados ao acolhimento de refugiados. Por consequência, cabe ao governo federal, em conjunto com a mídia, responsável pela rápida propagação de informações, atuar na desconstrução do imaginário de que o acolhimento destas pessoas seja algo negativo. Nesse sentido, por meio das redes tradicionais, a fim de preparar a sociedade para lidar com questões do tema. Outrossim, utilizar dos cofres públicos para criar um programa nacional de recebimento desta parcela social, criando departamentos nas principais cidades do país, com aulas sobre à língua local, a fim de inseri-los na sociedade brasileira. Somente assim, a tese iluminista se concretizará.