As dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola
Enviada em 02/08/2020
Dentre suas concepções, o historiador britânico Arnold Toynbee acreditava que os seres humanos tornaram-se os deuses da tecnologia mas têm um grande lapso no quesito relações sociais. Dessa forma, torna-se relevante discutir a questão das dificuldades das crianças com distúrbio de aprendizagem de se inserirem na escola. Suas principais causas são a visão errônea sobre as pessoas com distúrbio que , muitas vezes, são classificadas como anomalias incapazes e a falta de preparo das unidades escolares e de seus funcionários. Tal fato reflete uma realidade complexa e extremamente preocupante no que diz respeito aos seus efeitos sobre o país e suas consequências futuras.
Perante o supracitado, segundo o filósofo grego Platão, onde não existe igualdade as relações sociais não imperam de forma alguma. Assim, os ambientes da rotina das pessoas com distúrbio tornam as suas vidas ainda mais difíceis. Frequentemente, eles enfrentam muito preconceito até mesmo dentro de suas casas uma vez que alguns pais não compreendem as necessidades especiais e as têm como rebeldia, ou seja, não estão preparados para educar crianças excepcionais. Nas escolas a realidade é semelhante com o agravante das práticas de bullying e agressões que, sistematicamente, são ignorados pela administração escolar podendo gerar terríveis consequências psicológicas nas vítimas.
Defronte essa máxima, criada pela roteirista norte-americana Robia Rashid, a série televisiva Atypical apresenta de forma fiel as dificuldades de um personagem dentro do espectro autista. Sam, o protagonista, tem sua vida contada mostrando seu amadurecimento pessoal dentro dos âmbitos de convívio com outras pessoas, tanto familiar quanto escolar. Transcendendo o universo cinematográfico, essa realidade se aplica na contemporaneidade onde, novamente, as escolas não são estruturadas para receber alunos com necessidades especias. Os mesmos, são tratados como os demais, porém, necessitam de áreas de atendimento psicológico com profissionais preparados somadas a assistência durante todo o período letivo. O aprendizado aparente não deve ser buscado e valorizado pois não demonstra verdadeiramente o estado emocional do indivíduo.
Diante do exposto, fica evidente que as dificuldades de inserção das crianças com distúrbio de aprendizagem é um problema que necessita de medidas. Portanto, cabe ao Governo Federal, juntamente com Organizações Não Governamentais como a Associação de Amigos do Autista e a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, investir em espaços de atendimento no interior de cada escola, no intuito de promover a atuação efetiva de especialistas em assistência psicosocial também conscientizando os demais alunos com palestras sobre as diversidades excepcionais presentes no ambiente escolar. Desse modo, menores com distúrbio terão uma inserção social segura e receptiva.