As consequências da pressão exercida sobre os jovens

Enviada em 25/09/2022

O conceito de inteligências múltiplas, do psicólogo Howard Gardner, descreveu a mente humana como uma construção multifacetada de aptidões, em contraste ao antigo conceito de mensuração por quociente de inteligência. Diante disso, nota-se que o Brasil ainda possui uma visão retrógrada em relação ao tema, haja vista a hodierna pressão exercida sobre os jovens, perpetuada pela ignorância e por elementos socioculturais.

Mormente, convém discutir a relevância da falta de conhecimento perante o assunto. Conforme o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, todos os homens consideram os limites de seu campo de visão como os limites do mundo. Nesse contexto, destaca-se que essa pressão, prejudicial para os jovens, é criada principalmente pelos responsáveis legais que, em sua maioria, cresceram em um cenário onde o ingresso na educação superior era uma das únicas chances de ascensão econômica e mobilidade social. Assim, diante de uma crônica crise econômica, é natural que esses responsáveis mantenham essa superestimação e a propaguem para as gerações mais novas, o que agrava a questão.

Ademais, o hodierno panorama sociocultural das escolas apresenta-se como um dificultador. É natural que as escolas de nível fundamental e médio valorizem a preparação para o vestibular, já que essa é uma de suas atribuições. Entretanto, essa abordagem pode se tornar danosa quando hipervalorizada, contribuindo para a pressão supracitada. Com isso, torna-se comum a perpetuação de ambientes exacerbadamente competitivos em comunidades escolares, o que configura-se como fato social que, segundo Émille Durkheim, é quando os costumes de pessoas que cercam o indivíduo o moldam.

Portanto, é evidente que tais entraves devem ser solucionados. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, fomentar campanhas de conscientização em escolas de nível médio e superior, por meio de palestras realizadas por psicólogos para alunos e pais, a fim de debater essa questão com discussões e rodas de conversa sobre saúde mental na adolescência e desafios da preparação para a vida adulta. Com isso, espera-se uma melhora da problemática abordada.