As consequências da pressão exercida sobre os jovens
Enviada em 26/09/2022
O escritor Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, delata a ineficiência de instrumentos jurídicos, o que evidencia uma cidadania ilusória - metáfora usada pelo autor. Nesse contexto, pode-se associar tal alegação à realidade brasileira, hodiernamente, como as consequências da pressão exercida sobre os jovens. Mormente, isso é ocasionado pela indiferença estatal e pela ausência de empatia, feitos que eternizam essa problemática.
Com efeito, consoante ao declarado no trecho “Ninguém respeita a Constituição”, na canção da Legião Urbana “Que país é esse”, a omissão do governo impossibilita a resolução eficaz dos efeitos do constrangimento praticado contra os adolescentes. Por sua vez, essa conjuntura origina-se de tal modo que, para ter um desempenho superior, eles abusam de substancias estimulantes tais como o café e o remédio Ritalina. Portanto, indivíduos padecem com danos à saúde ao consumirem esses produtos de forma excessiva, uma vez que não existe efetivo controle na venda ou no uso e por isso têm as garantias, previstas na legislação pátria, desprezadas, visto que não há respeito à Carta Magna.
Ademais, o egoísmo no corpo social é um entrave à solução dos impactos da coação cometido contra os jovens. Nesse sentido, em sua tese “Modernidade Líquida”, o filósofo Zygmunt Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada pela instabilidade das relações sociais. Acerca disso, frisa-se que a inércia coletiva expõe a verdade bauniana ante a tensão familiar existente no período do vestibular, já que os pais querem decidir desde o curso até a instituição que deverá ser escolhida pelo adolescente. Isso decorre devido à compulsão de cidadãos com suas vontades patrimoniais, assim, menospreza-se a individualidade. Logo, essa insensatez afeta a construção do caráter, uma vez que os genitores usam a chantagem, a exemplo da oferta de carros, para lograr seus intuitos.
Destarte, os Ministérios da Saúde e da Educação devem criar ações esclarecedoras em plataformas digitais, como Youtube e TikTok, por meio de filmes informativos sobre as sequelas das imposições sobre os jovens. Afinal, essa dinâmica visa mitigar a negligência do Estado e o descaso da sociedade com a empatia, além de refutar as conclusões de “Modernidade Líquida”.