As consequências da pressão exercida sobre os jovens
Enviada em 17/06/2022
É intríseca ao sistema de ensino brasileiro a ideia de que os estudantes devem ser capazes de decidir suas trajetórias de vida por volta dos 18 anos, ao fim do en- sino médio. Entretanto, o equívoco inato a essa noção prova-se pelos altos índices de ansiedade e depressão entre jovens, além da elevada taxa de suicídio nesta fai- xa etária. Assim, é visível que a principal consequência da pressão exercida sobre os jovens são danos a longo prazo a sua saúde mental.
Em fim de chamar atenção para este fato, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou em suas pesquisas que o suicídio é a terceira causa de morte mais numerosa entre adolescentes, o que já era esperado pelas pesquisas de Émile Durkheim em seu livro “Suicídio”. Na obra, é retratada a origem de tal causa de morte como um “suicídio egoísta”, conceito do próprio sociólogo. A questão é re-
tratada como uma inebriação da visão de mundo causada pela pressão vinda da sociedade, desvalorizando a vida em função do renome, estudo, lucro e sucesso profissional. Neste contexto é onde, para Durkheim, o jovem acredita não estar a altura desses desafios, confiando que não há sentido em enfrentá-los.
Na realidade, a pressão nessa fase da vida é injustificável. Evidência disto é o dado publicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ele dizia que 65% dos concorrentes do Enem eram concluintes do ensino médio em anos anteriores, ou seja, não estavam em “ano de vestibular” (3º ano do ensino médio). A oportunidade de prestação ao exame é livre para todas as idades, e é perfeitamente plausível a busca por outros tipos de experiência senão o ensino superior, que requer o investimento de uma extensa fase da vida.
Em suma, uma forma eficiente de evitar tais consequências é combater a cultu- ra do “ano de vestibular”. Isso pode ocorrer a partir de iniciativas do Ministério do Trabalho por meio de propagandas de incentivo às oportunidades de emprego para jovens, valorizando as experiências não acadêmicas, que podem ser tão im-
portantes quanto suas antagônicas. Acrescentando a possível a divulgação de campanhas de prestação de vestibular entre populações adultas, iniciativas a serem tomadas pelo Ministério da Educação com a mesma finalidade