As consequências da pirataria para a sociedade

Enviada em 24/10/2021

No filme “Os Piratas do Caribe”, os piratas são retratados como bandidos marítimos que saqueiam produtos de embarcações e de cidades costeiras, os quais são, posteriormente, comercializados. Hodiernamente, fora da ficção, embora o sentido de pirataria seja diferente, a distribuição e venda de produtos sem autorização dos proprietários, em razão das imposições da sociedade de consumo, persiste, a qual ocasiona a redução da competitividade das empresas legalizadas e dos investimentos sociais. Logo, são imperativas ações  para amenizar os efeitos desse crime no Brasil.

Em primeiro plano é válido ressaltar que desde o processo da Revolução Industrial, a sociedade impôs a necessidade de um ideal de compra e ostentação- dos melhores serviços, mercadorias e marcas- ao cidadão. Todavia, em um país periférico, como o Brasil, esse ideal é distante da realidade, haja vista que não são fornecidas as condições para esse consumo ideal, o que favorece a venda e compra de produtos falsificados. Sob esse viés, o escritor Guy Debord, na obra “Sociedade do Espetáculo”, disserta que o corpo social é instituído por meio de imagens, o qual valoriza o ter em detrimento do ser, assim se não há capital para comprar um produto original, as pessoas optam pelo pirata a fim de representar algo no meio coletivo. Dessa forma, são imprescindíveis investimentos acerca do cerne da pirataria: a ausência de condições para a aquisição dos produtos originais.

Por conseguinte, é conveniente destacar que, apesar das imposições de um ideal de compra- inatingível por muitos- a reprodução de itens não legalizados traz graves consequências, em curto e longo prazo, para a população. Ao incentivar esse crime, o indivíduo, mesmo sem saber, contribui para a diminuição da competitividade de empresas, prejudica a imagem de marcas consolidadas e retarda os investimentos sociais, visto que o mercado pirata aumenta a informalidade presente nas relações trabalhistas e não intenciona- não podendo ser utilizado- capital ao governo. Assim, conforme afirma Simone de Beaouvoir “mais escandaloso que a existência de uma problemática é o fato de a sociedade se habituar a ela”, se a naturalização do errado for regra, a redução de seus efeitos serão a exceção.

Portanto, a fim de possibilitar a aquisição de produtos de maneira legal, urge que o Ministério da Cidadania, responsável pela promoção de benefícios assistenciais, invista, por meio de verbas, no combate à origem da pirataria: a ausência das condições necessárias para um consumo consciente. Somado a isso, compete aos veículos midiáticos, importantes formadores de opinião, o esclarecimento aceca dos prejuízos da pirataria não somente para o Estado e para as empresas, mas também para o próprio cidadão. Somente assim, poder-se-á reduzir os efeitos causados por essa prática ilícita e contribuir para que o drama narrado em  “Os Piratas do Caribe” seja, em breve, apenas ficção.