As consequências da pirataria para a sociedade

Enviada em 26/05/2019

Em 1928, o cronista brasileiro Carlos Drummond de Andrade publicou, na revista Antropofagia, o poema “No meio do caminho”. Nele, o autor retrata empecilhos existentes em seu percurso, evidenciando, desse modo, os obstáculos presentes na sociedade, que impedem o desenvolvimento coletivo. Fora da narrativa, a concepção ganha forma, visto que a pirataria na sociedade encontra-se intrinsecamente ligada à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela lenta mudança da mentalidade social.

Segundo Aristóteles em “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. No entanto, esse conceito encontra-se deturpado, à medida que a falta de fiscalização na produção ilegal de cópias dificulta o combate à venda desses produtos. Tal problemática ainda é intensificada pelo desemprego vigente, aliado à ascensão do capitalismo, onde indivíduos que precisam sustentar sua família veem saída no comércio extralegal, que ocorre em diversas cidades do país. Portanto, um investimento por parte do Governo é essencial para minimizar os efeitos gerados pela pirataria.

Outrossim, é válido ressaltar que a falta de informação pode interferir na compra de produtos piratas pela população. Sobretudo, isso afeta a parte da população mais vulnerável, que não entende as consequências da falsificação para a coletividade. Sob esse viés, o filósofo Auguste Comte afirma que a lei da história da humanidade é o progresso. Desse modo, sem o comprometimento de todas as camadas sociais, o desenvolvimento tende a não ocorrer, colocando em risco o crescimento dos setores que necessitam vender seus projetos originais.

Por conseguinte, é indubitável que medidas são necessárias para reverter a situação. A princípio, cabe ao Governo criar postos de denúncia online, para os que identificarem sinais de falsificação, visando um maior contato política e vítima, a fim de tornar mais confortável o ao de denunciar. Paralelamente, cabe às Organizações Não-Governamentais distribuírem cartilhas advertindo sobre as consequências de usarem produtos piratas, objetivando universalizar o uso de produtos originais, assim como sensibilizar a sociedade a ajudar a resolver esse problema. Dessa forma, será possível que não hajam mais pedras no caminho evidenciado por Drummond.