As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/05/2022

No livro “utopia” de Thomas More, é retratado um ambiente, no qual a consciência coletiva e eficiência do estado são ferramentas cruciais para o avanço da nação. Fora da obra, é fato que, a fuga de “cérebros”, no Brasil, representa um obstáculo para uma nação alienada e passiva como a brasileira. Nesse sentido, a falta de investimentos no setor de tecnologia vem fazendo parte da identidade brasileira.

Em primeiro lugar, é válido reconhecer como a persistência da fuga de talentos é uma ocorrência atual. Além disso, é por causa dessa bolha sociaocultural que a alienação é formada: ao presenciar o crescimento gradativo e frequente dessa “fuga”, as pessoas tendem a habituar-se a ela. De acordo com a escritora francesa Simone de beauvoir, vive-se uma realidade firmada no senso comum, em que o conhecimento popular, adquirido pela observação e repetição de questões, forma estereótipos. Paralelamente, percebe-se que o indivíduo, inserido nesse panorama, é condicionado a aceitar o fato de o Estado não incentivar, como deveria, o avanço da ciência e tecnologia no país como fator cotidiano e normal.

Por consequência, nota-se a falta de oportunidade para novos talentos e até uma precariedade em sua formação. Conforme a “atitude blasé” - termo proposto pelo sociólogo George Simmel - ocorre quando o sujeito passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Sob esse prisma, entende-se que, ao analisar a permanência do determinismo e dessa “debandada”, o ser humano inclina-se a adotar essa “atitude”, tornando-se passivo e inerte com a problemática.

Portanto, é fundamental que a persistência da fuga de novos talentos do país seja atenuada. Para isso, todos os órgãos da federação, em conjunto, devem investir na melhoria de centros de pesquisa, bolsas e incentivos a empresas, para que, novos talentos, recém formados, tenham oportunidade de trabalharem para o avanço do país e, com isso, devolver o investimento do estado, neles, à população como um todo. Somente assim, será possível combater o problema e obter um local como na “Utopia de More”.