As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 20/05/2022

Nas primeiras décadas do século XIX, imigrantes europeus dirigiram-se ao Brasil em busca de melhores condições de vida, atraídos pelas oportunidades de trabalho nas prósperas lavouras cafeeiras do sudeste. Hodiernamente, nota-se que a pretérita “terra de oportunidades” figura como zona de repulsão de profissionais qualificados, fenômeno que acarreta prejuízos financeiros a longo prazo. Nesse contexto, essa “fuga de cérebros” decorre da desvalorização das ciências e corrobora a vulnerabilidade econômica estatal.

A priori, cumpre salientar que os escassos investimentos federais na área científico-tecnológica contribuem para a persistência da problemática. Segundo dados do Relatório de Ciência da Unesco de 2020, o país investiu apenas 1,26% do PIB em ciência, porcentagem inferior à média mundial. Sob esse viés, observa-se a perpetuação do quadro de sucateamento das universidades públicas e centros de pesquisa, fator que motiva a emigração de indivíduos capacitados para localidades em que o setor mostra-se mais promissor, como EUA e Alemanha. Assim, a incipiente infraestrutura nacional constitui um entrave à incorporação de talentos brasileiros ao sistema produtivo.

A posteriori, é imperioso ressaltar que a referida mazela culmina na manutenção da dependência tecnológica tupiniquim. Nesse sentido, a evasão de cidadãos capacitados possibilita que estes produzam tecnologias em nações estrangeiras, em detrimento de colaborarem para o desenvolvimento de sua terra natal. Como exemplo, tem-se o paulistano Michel Krieger, co-fundador do Instagram, o qual foi concebido no Vale do Silício norte-americano. Dessa forma, a nação torna-se refém do pagamento de “royalties” para a utilização de bens e serviços alóctones.

Portanto, é evidente que tal “diáspora” advém da omissão estatal e pereniza o subdesenvolvimento pátrio. Logo, a fim de fomentar o engrandecimento dos centros de pesquisa nacionais, urge que o Estado promova a ampliação da distribuição de bolsas científicas e subsídios governamentais, por intermédio da destinação de uma maior parcela das verbas públicas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - órgão encarregado de estimular o avanço tecnológico. Dessarte, incentivar-se-á a permanência de profissionais no país.