As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 13/05/2022
O artigo 6 da Constituição Federal de 1988 é claro ao dizer que é dever do poder público garantir o acesso a educação para todos os brasileiros. No entanto, a negligência governamental evidencia a violação dos direitos presentes na Magna Carta e influencia a persistência da fuga de cérebros no Brasil. Nesse sentido, é pertinente o debate acerca da má alocação de recursos no sistema educacional superior brasileiro e da instabilidade política vigente no país, buscando soluções para o problema.
Primordialmente, merece destaque a má distribuição de recursos no âmbito da educação no Brasil desencoraja bons academicos para que fiquem no país. No documentário “pátria educadora”, da produtora Brasil Paralelo, foi mostrado que um estudante recebeu uma bolsa para financiar seu mestrado que analisava a prática de sexo oral entre homens dentro de um banheiro público numa estação de trem. Nessa lógica, o recurso encaminhado para trabalhos inúteis, como o supracitado, deixa de ser direcionado aos discentes com trabalhos sérios que gerariam retorno para a nação, fazendo com que eles saiam do país em busca dessa ajuda financeira, atrasando o desenvolvimento brasileiro.
Além disso, é imprescindível ressaltar como a instabilidade política afeta negativamente a fuga de cérebros. Charlie Munger, um dos maiores investidores do mundo, orienta que o sucesso de um investimento se dá com o profundo conhecimento de como ele funciona. Nesse sentido, o discente não se sente confortável em investir em sua carreira academica, tendo em vista que os meios que permitem o financiamento dos seus trabalhos podem deixar de existir rápidamente, se essa for a vontade política do momento. Assim, ele opta pelo êxodo para países mais estáveis, que proporcionarão maior segurança financeira e que poderá dar continuidade em seu trabalho.
Visto isso, fica evidente a necessidade de medidas para reverter essa situação. Portanto é dever do Ministério da Educação impedir o mal uso do érario para custear academicos ruins, por meio da criação de métricas que avaliem a relevancia do trabalho feito e o retorno gerado para a nação, com isso, permitindo que os recursos se concentrem naqueles de maior qualidade.