As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 04/05/2022
Na obra literária ‘‘Dom casmurro’’, de Machado de assis, é ilustrado o prestígio que possuíam os que graduavam-se no estrangeiro e retornavam ao Brasil, durante o século 18. Na contemporaneidade, entretanto, a tendência é oposta: a fuga de cérebros cresce, indicando que o Brasil não tem conseguido manter sua comunidade acadêmica em território nacional. Com a finalidade de mitigar esse problema, cabe refletir sobre sua persistência, e observando suas causas e, sobretudo, consequências.
A conhecida ‘‘PEC do teto’’ de gastos, sancionada como forma de reduzir os impactos da crise econômica no Brasil, congelou os gastos do Estado pelas próximas décadas, ação que tem ocasionado grave precarização de serviços como educação pública. Diante de tal diminuição de investimentos, formandos e pesquisadores brasileiros veem no exterior estabilidade econômica e suporte governamental, o que tem motivado o êxodo de muitos. Além disso, outro motivo que tem acentuado esse problema é a crescente globalização, de modo que espera-se que o problema cresça à medida que o tempo passe.
Essa acentuada fuga de cérebros com a qual o Brasil permanece sofrendo apresenta notórias consequências tanto hodiernas quanto futuras: Esses profissionais tornam-se ‘‘commodities’’, levando para o exterior a esperança de um Brasil mais competitivo tecnologicamente. Dessa maneira, o país tende a depender cada vez mais da ciência e tecnologias produzidas pelas grandes potências mundiais. Esse êxodo de profissionais acarreta, por fim, a disponibilidade reduzida de empregos de alta especialização no Brasil, limitando a maior parte da população brasileira à trabalhos de subsistência.
Nota-se, assim, a maneira com a qual a fuga de cérebros afeta a sociedade como um todo, além das péssimas projeções que esse problema tende a tornar-se no futuro. Com a finalidade de mitigar essa hecatombe, cabe ao Estado, por meio do Ministério da educação, redirecionar recursos públicos para as instituições de ensino, de modo a assegurar a manutenção dos incentivos governamentais aos cientistas. Dessa maneira, o compromisso com a educação no Brasil trará como benefício a gradual integração nacional no mercado tecnológico global.