As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 05/05/2022

Segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, o Conselho Nacio-nal de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) perdeu metade da verba que recebeu há dez anos. Em concordância a esse cenário de restrições orçamen-tárias, aumenta-se a quantidade de mão de obra qualificada que deixa o Brasil, em busca de melhores oportunidades e de reconhecimento. Assim, torna-se pertinen-te abordar as consequências econômica e tecnológica, a longo prazo, da persistên-cia da fuga de cérebros no Brasil.

A princípio, é relevante discorrer o impacto financeiro oriundo da emigração de inteligências no país. Nessa perspectiva, de acordo com a Organização para a Co-operação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 0,2% da população brasi-leira possui doutorado, enquanto a média dos países pertencentes à organização é de 1,1%. Tal dado resplandece que o Brasil ainda é detentor de uma pequena par-cela de doutores, que são mãos de obra altamente qualificada, mas não é capaz de oferecer oportunidades adequadas, de modo que promove a “diáspora científica” e a perda de competitividade econômica do país, contribuindo para a estagnação fi-nanceira a longo prazo. Destarte, entede-se a consequência econômica da fuga de cérebros do Brasil no futuro.

Além disso, é importante explorar o impacto tecnológico causado pela saída de talentos no Brasil. Nesse sentido, para o professor de economia da Universidade Federal do Ceará, João Macêdo, com a fuga de cérebros e o consequente efeito fi-nanceiro, haverá retrocesso na produção tecnológica, uma vez que as empresas te-rão menos capacidade de investimento. Isso esclarece que, com a emigração de prodígios, que poderiam realizar pesquisas para a inovação científica nacional, o processo de aperfeiçoamento tecnológico também se estagna. Dessa forma, perce-be-se a consequência tecnológica da fuga de cérebros futuramente no Brasil.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomada para atenuar a diáspora em tese. Logo, cabe ao Governo Federal, a valorização científica nacional, por meio do aumento do financiamento de pesquisas, como em organizações como o CNPq, pa-ra que o Brasil utilize os cérebros em benefício pátrio. Somente assim, haverá o re-conhecimento procurado e o devido progresso científico do país.