As consequências a longo prazo da persistência da fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/05/2022

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é descrita uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos, com os cidadãos gozando da eficiência do Estado. No entanto, a fuga de cérebros no Brasil dificulta a realização dos planos de More. Esse cenário adverso é fruto da negligência estatal e da falta de conscientização popular.

Inicialmente, é fulcral salientar que a indiligência do Estado como fator determinante para continuidade da problemática. Nesse viés, esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das instituições zumbis do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprir sua função social. Sob essa ótica, o Ministério da Educação, ao longo dos anos, permitiu a indiferença com os profissionais e dos estudiosos que cada vez mais buscam alternativas para garantir melhores condições de vida, muitas vezes em outras pátrias que valorizem seus talentos.

Outrossim, é imperativo ressaltar a falta de conscientização popular como impulsionador do embate. Desse modo, o filosofo alemão Karl Marx afirma, em suas obras “Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o ser social que lhe determina o ser”. Nesse sentido, a consciência pessoal é o resultado das interações interpessoais. Sendo assim, a sociedade que não contempla a valorização dos saberes é culpada pela banalização e pelo distânciamento do potencial intelectual da nação.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para conter da persistência da fuga de cérebros no Brasil. Dessarte, com o intuito de mitigar o imbróglio, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Economia redirecione as medidas orçamentárias para impulsionar jovens talentos à produção científica e intelectual, por meio da criação de fundos e financiamentos. Além disso, cabe ao Ministério da Cidadania estimular por meio de campanhas nas redes sociais e nos jornais, a importância da produção e dos talentos nacionais, a fim de obter grandes oportunidades aos seus profissionais. Somente assim a coletividade alcançará a Utopia de More.