Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 28/07/2021
No final do século XX, a partir da promulgação da Constituição de 1988, a educação tornou-se um direito inerente a todos os cidadãos, além da manutenção e do desenvolvimento de todo o sistema educacional ter se tornado plena responsabilidade do Estado. Entretanto, hodiernamente, o desenvolvimento educacional apresenta descompassos que afetam veementemente a execução de atividades básicas do cotidiano e acaba por resultar no aumento do analfabetismo funcional presente na sociedade verde e amarela. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só pela falta de incentivo à leitura no país, mas também pela adoção de projetos pedagógicos ultrapassados.
Deve-se pontuar, de início, a influência do estímulo à leitura no desenvolvimento cognitivo e no progresso absoluto da alfabetização. Então, de acordo com Paulo Freire, filósofo brasileiro, a educação é o caminho para a liberdade e para o despertar da criticidade, além de garantir autonomia social e a consciência de classe. Entretanto, diferentemente ao pensamento de Freire, no sistema educacional brasileiro, a leitura e a escrita tornam-se fatores secundários no processo educativo dos alunos o que, consequentemente, afeta amplamente a base de conhecimento e a elaboração do pensamento crítico- fundamental para o desenrolar do raciocínio lógico ao longo das tarefas do dia a dia.
Ressalta-se, ademais, a utilização de metodologias de ensino pouco eficazes- por parte dos polos educativos- para a reflexão e aplicação na realidade social dos alunos. Conforme o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, precursor da mordenidade líquida, as instituições educacionais- configuradas como zumbis- perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-la a todo custo. Dessa forma, definido como zumbis por Bauman, as medidas e as políticas públicas acabam por falhar no âmbito socioeducativo, uma vez que os projetos pedagógicos- adotados pelas escolas- não alinham a prática da interpretação textual e situacional com a aplicabilidade na vida real dos estudantes.
Evidencia-se, portanto, a persistência de obstáculos estruturais no decorrer do sistema de ensino brasileiro. Nesse aspecto, compete ao Ministério da Educação promover iniciativas de fomento à leitura, por meio do desenvolvimento de programas associados à parcerias com editoras nacionais, com o intuito de tornar a literatura um pilar e um aliado no combate ao analfabetismo funcional. Além disso, as escolas- órgão de maior autoria e influência- devem promover a formação plena dos estudantes, por meio de projetos educativos que estimulem a aplicação dos conceitos, que foram aprendidos em aula, em situações reais, com o objetivo de desenvolver a criticidade e o processamento cognitivo para a expressão de atividades básicas. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude da efetização dos elementos elencados na Carta Magna.