Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 25/10/2019

Durante o século XIX, no período histórico imperial, o então governante D. Pedro II, com objetivo de democratizar o acesso à educação e formação de qualidade, criou as primeiras escolas primárias brasileiras. No contexto hodierno, contudo, face à crescente indicação de analfabetismo funcional no Brasil, vê-se que as pretensões imperiais não foram, de fato, alcançadas. Posto isso, cabe analisar os efeitos e alternativas para conter essa conjuntura decorrente não só da inópia estatal, mas também das modificações na ambiência educacional promovidas pelo advento das tecnologias.

Convém elencar, em primeiro plano, a falha do Estado, enquanto órgão capaz de sustentar a acessibilidade ao ensino de maneira qualitativa, bem como modificar a estrutura educacional para melhor atender à população, como promotora do crescimento do analfabetismo funcional. Sob essa máxima, dados do IBGE apontam que o valor destinado à educação, pelo governo, é de 5,7% do PIB, ao mesmo tempo, o número de pessoas sem conhecimentos básicos e capacidade de leitura compreende cerca de 6,2% dos jovens que já passaram pelo processo de formação. Lastimavelmente, tais estatísticas demonstram o quão precário é o sistema de ensino oferecido pelo país, tendo em vista o paradoxo vigente - mesmo com investimento, parte do tecido civil tem uma formação ineficiente -. Diante disso, pela falta de intervenção, o índice de analfabetos funcionais se faz crescente, fato que acarreta na constituição de pessoas acríticas e, por vezes, inaptas a se consolidar no ramo laboral.

Outrossim, é cabível pontuar, ainda, como a inserção das tecnologias no contexto social catalisa esse impasse em questão. Sob essa premissa, não pecou o sociólogo Manuel Castells ao proferir que, frente à disseminação da tecnologia e, por conseguinte, da internet, as escolas tendem a tornarem-se obsoletas, pois a procura por conteúdos é, agora, direcionada às redes digitais e não mais às instituições escolares. Consequentemente, à medida que os indivíduos substituem a escola, outrora fonte de conhecimento, pelos sites de informação, esses estão passíveis à seleção, incorreta, dos assuntos relevantes no contexto de construção intelectual e crítica. Dessa maneira, o corpo civil é  vulnerabilizado e exposto a possíveis casos de alienação pela própria internet, por meio dos algoritmos, e exploração, pelas classes dominantes, detentoras da oferta de trabalho no cenário presente.

Diante do supracitado, urge, portanto, medidas para mitigar esse quadro. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, reformular a proposta de ensino aplicada nas escolas brasileiras, valendo-se de um estudo acerca dos pontos negativos e positivos dessa aplicação para posteriormente corrigi-los, a fim de atenuar o número de analfabetos funcionais no Brasil e, a partir disso, alcançar as pretensões do período imperial.