Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 22/10/2019

Com a expulsão dos jesuítas do território nacional, a educação passou a ser fornecida pelo Estado, porém teve pouco investimento e relevância nos anos seguintes. O reflexo hodierno desse passado, visível tanto na grande parcela de professores que lecionam sem informação quanto na definição arcaica de analfabetismo que ainda é usado no país, revela a urgência de medidas que freiem o analfabetismo funcional, dado que ele priva àqueles que acomete de direitos, por exemplo inserção no mercado formal.

A educação na primeira infância é de extrema importância para o desenvolvimento pleno das outras faculdades mentais do indivíduo. Consoante a Freud, o pai da psicanálise, a mente humana se divide em três instâncias principais e a criança não as possui totalmente formadas. Dado que uma das que está em formação é do pensamento lógico e racional, abrangendo leitura e escrita, o pensamento freudiano justifica dados como do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revela que há 11,5 milhões de analfabetos entre 15 a 17 anos. Uma vez que esses jovens foram expostos a professores sem a didática devida, seus desenvolvimentos de leitura e produção de textos foram afetados e reduzidos a compreensões isoladas de palavras e frases.

Apesar da redução dos índices de analfabetismo no Brasil, a proficiência em suas habilidades não alcança a todos. Sob esta ótica, o país possui um conceito de analfabetismo que não compreende mais às demandas nacionais e enquanto, ainda for usada, o número real de analfabetos funcionais permanecerá mascarado. A exemplo, na pesquisa do IBGE foi relatado que um quinto da população idosa se encaixa nesse perfil, ou seja, mesmo com os índices de analfabetismo na infância reduzindo, ele permanece crescente na fase idosa.

Portanto, visando o cumprimento efetivo do Plano Nacional da Educação, o Ministério da Educação, responsável pelas diretrizes escolares, deve buscar reduzir os índices de analfabetismo funcional através de uma redefinição nos parâmetros de “alfabetizado” e incluindo interpretação textual e argumentação. Ademais, o Estado precisa investir no ensino fundamental, seja por intermédio de incentivos que valorizem os professores e profissionais da área, como aumento salarial, seja disponibilizando cursos adicionais com o fito de desenvolver a jornada lógica-racional dos estudantes. Somente com o desenvolvimento pleno, desde criança, de todas as faculdades ditas por Freud o analfabetismo funcional pode ser atenuado.