Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 18/10/2019
Numa sociedade vetusta, com a chegada da corte lusíada ao Brasil, o ensino dos padres jesuítas com base no catolicismo foi transmitido aos indígenas. Entretanto, a aprendizagem acadêmica e mais aprofundada era disponível somente aos nobres ricos, em virtude do alto custo. Persistindo atemporalmente, embora a Constituição Federal delineie o direito à educação e bem estar social para todos os indivíduos, o analfabetismo funcional é uma problemática e rompe esse artigo. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro destacam-se, a ausência de um eixo educacional voltado ao senso crítico bem como os problemas sociais decorrentes dessa chaga social.
A priori, é evidente que pessoas isentas de capacidade de leitura e compreensão literária, muitas vezes, não possuem um senso crítico aguçado. De maneira análoga a esse cenário, o educador Paulo Freire afirma, no livro “Pedagogia da Autonomia”, que o papel da escola não é somente depositar conhecimento (educação bancária). Ele sugere, assim como o pedagogo Edgar Morin, que é preciso educar o corpo social para que ele saiba “ler o mundo” e obter independência. Nesse viés, um estudo da Universidade de São Paulo atesta que a disseminação das notícias falsas tem relação direta com o analfabetismo. Consequentemente, caso o indivíduo não possua habilidades básicas de interpretação tenderá à compartilhar qualquer informação sem verificar a procedência. Destarte, o analfabetismo acarreta problemas sociais secundários e o cumprimento do direito à educação faz-se necessário.
Outrossim, nota-se que pessoas semianalfabetas enfrentam dificuldades no mercado de trabalho e sofrem com a desigualdade social. Sob tal ótica, o modernista Graciliano Ramos, em “Vidas Secas”, retrata a vida de Fabiano e a exploração trabalhista e social cometida contra o retirante. Desse modo, assim como na obra literária o personagem não sabia o valor real de seu salário e argumentar quando foi preso arbitrariamente, a realidade também possui características opressoras e impede o exercício da cidadania aos semiletrados. Por conseguinte, o desemprego, fome, exploração de mão de obra são algumas mazelas sociais a serem enfrentadas pelas instituições cabíveis.
Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos administrativos e manutenção do ensino público, deve criar estratégias no tocante ao número alarmante de pessoas semianalfabetas com o fito de reduzir o índice e assegurar o cumprimento do direito constitucional. Essa ação pode ser feita por meio da implementação de matérias extra curriculares, como educação financeira, a fim de ampliar o conhecimento além de fornecer métodos que priorizem tanto o letramento, quanto a formação do senso crítico. Ademais, campanhas publicitárias que enfatizem a busca por informações verídicas devem ser disseminadas.