Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 15/10/2019
O acesso à educação básica iniciou-se no Brasil com a chegada da família real, durante o século XIX, nesse período, a educação virou lei e um dos seus principais objetivos era a alfabetização. Entretanto, mesmo hoje, dois séculos depois, esse objetivo não foi plenamente concluído. Afinal, apesar do letramento de grande parte da população, a educação brasileira é assombrada pelo analfabetismo funcional, definido pela inabilidade de compreender textos e realizar operações matemáticas. Tal problemática possuí raízes nas ações governamentais e individuais, contudo, suas consequências afetam o equilíbrio de toda a sociedade, já que, como dito pelo filósofo Imannuel Kant: é no problema da educação onde se assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da sociedade.
Em princípio, cabe ressaltar que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública, três em cada dez brasileiros são analfabetos funcionais. Grande parte das vezes, essa situação provém da ineficácia do sistema de educação, que objetiva ensinar o aluno a ler e escrever sem levar em consideração se esse compreende o que lê e escreve. Isso leva o indivíduo ao analfabetismo funcional, que torna sua alfabetização ineficaz para as tarefas cotidianas. Além disso, nota-se uma falta de interesse nos próprios alunos em aprimorar suas habilidades na leitura e escrita. Conforme o Instituto Pró-Livro, em 2018, a leitura entre os jovens decaiu em mais de 10%, as causas dessa redução podem ser relacionadas a falta de incetivo dos pais e o acesso à outras mídias como as redes sociais.
Por conseguinte, muitos estudantes que finalizam o ensino fundamental com problemas de compreensão nem chegam a ingressar no ensino médio e, muito menos, no ensino superior. Consequentemente, tal condição ocasiona a entrada precoce ao mercado de trabalho, principalmente na ocupação de cargos que não requerem graduação ou especialização, ou seja, com menores salários e benefícios. Desse modo, é possível notar que, indo de encontro ao pensamento de Kant, o analfabetismo funcional contribui para a desigualdade social, já que auxilia na manutenção da pobreza e diminui as chances de ascenção socioeconômica.
Assim, urge a necessidade de alterações na estrutura educacional para garantir a alfabetização adequada dos jovens brasileiros. Cabe ao Ministério da Educação investir em políticas públicas que favoreçam a educação, como a abertura de bibliotecas e o aperfeiçoamento dos docentes por meio de cursos e assim garantir uma melhor infraestrutura aos alunos. Ademais, cabe aos pais e responsáveis incentivarem a leitura das crianças, as levando em bibliotecas e até mesmo lendo para elas desde cedo. Dessa maneira, é possível mitigar as mazelas do analfabetismo funcional no Brasil.