Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/03/2019
Conforme o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), cerca de 38 milhões de brasileiros entre 15 e 64 anos não são capazes de interpretar textos e realizar operações matemáticas básicas, caracterizando-os como analfabetos funcionais. A carência de oportunidade na introdução da educação básica e a baixa flexibilidade de participação na Educação de Jovens e Adultos (EJA), acentuam esses dados.
Em primeiro plano, destaca-se os dados do censo de 2010, no qual apenas 65 milhões da população brasileira com 15 anos ou mais, possuíam ensino fundamental. Em contrapartida, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), estabelece que todas as crianças estejam alfabetizadas até 8 anos de idade, o que de fato, frisa a importância de uma melhor estruturação da educação básica, aumentando as oportunidades dos estudantes de ingressarem o quão antes na rede de ensino, e, além disso, permanecerem, diminuindo assim, a evasão escolar.
Por conseguinte, todos esses fatores agregados, incorporam nos dados atuais, nos quais 5% dos brasileiros acima de 15 anos que não concluíram o ensino fundamental, têm o ensejo de participar da Educação de Jovens e Adultos (EJA), pela ausência de flexibilidade necessária a estes, que, costumeiramente, executam outras tarefas diárias, como trabalho, cuidados domésticos, entre outros.
Destarte, na conjuntura em que se encontra a educação brasileira, é crucial que haja uma maior maleabilidade e aperfeiçoamento das medidas a serem tomadas perante a este grupo de analfabetos funcionais. Logo, cabe ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização de Professores (FUNDEB), tornar isonômico os recursos à educação básica e à educação de jovens e adultos, proporcionando um maior contingente de docentes qualificados, e além disso, um maior número de escolas na modalidade EJA, em horários flexíveis, para que assim, os analfabetos deixem de se considerarem “cegos-sociais”, pois como dita João Cabral de Mello: “Um galo sozinho não tece uma manhã”.