Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 13/11/2021

Edgar Morin, célebre sociólogo contemporâneo, desenvolveu, em seus escritos, a epistemologia do “pensamento complexo”, cuja principal característica consiste em dar respostas aos problemas graves silenciados em função da complexidade das ligações que os produzem. Segundo a lógica moriniana, faz-se preciso, assim, discutir com profundidade a problemática do abandono e violência contra animais no Brasil, ainda que essas ações sejam invisibilizadas por parte expressiva da sociedade. Desse modo, convém analisar a complexa relação entre a negligência estatal e a falta de informação. Inicialmente, vale ressaltar que o déficit de investimento governamental dificulta a fiscalização dos atos de crueldade contra animais. De acordo com o filósofo John Rawls, o governo deve disponibilizar recursos para investimentos na estrutura básica da sociedade direcionadas à minimiza as atrocidades existentes. Entretanto, percebe-se que, no território nacional, há ausência de instrumentos que registrem comportamentos de maus-tratos contra animais o que dificulta a aplicação da Lei 14.064/2020, que garante, entre outros aspectos, a proteção do animal. Isso é perceptível seja pela escassez de campanha para incentivar denúncias de violência, seja pelos poucos espaços públicos e privados que portam câmeras de monitoramento. Logo, é inadmissível que tal situação se perpetue pois traz consequências gravíssimas, como a impunidade dos agressores. Ademais, é relevante examinar a desinformação populacional sob a perspectiva fenomenológica de Jurgen Habermas. Segundo o pensador, a razão comunicativa constitui em uma etapa fundamental para compreensão da magnitude dos problemas. Nesse contexto, a falta de diálogo a respeito da barbaridade contra animais faz com que haja ainda mais a perpetuação da banalização da violência. Esse processo, de fragilidade comunicativa, fortalece a premissa de que os sujeitos sociais não são capazes de formular soluções frente às questões complexas, haja vista, que a ignorância ameaça a preservação da sua própria humanidade, um vez que, não contribui no combate aos crimes contra animais. Diante disso, é urgente uma mudança de postura das redes midiáticas para a consolidação do progresso habermaseano. Fica claro, portanto, que o tecido social carece de instrução em relação de abandono e violência contra animais. Poso isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelos assuntos relacionados à educação e cultura em todo o país, financiar projetos de extensão midiática que visem informar a população sobre importância de extinguir ações de crueldade contra animais. Isso deve ocorrer por meio de propagandas televisivas e de reportagens, com a participação de profissionais competentes e membros da comunidade. Para tal, é necessário direcionar fomento financeiro para apoiar os projetos, a fim de garantir a proteção dos animais e mobilizar a população. Dessa forma, a sociedade poderá superar os desafios silenciados dessa problemática, que se revelam verdadeiramente complexos, em contraste com o pensamento de Morin.