Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 09/11/2021

No Egito antigo, os animais eram tão admirados que representavam deuses, como Anúbis, deus da morte que possuía cabeça de cachorro. Contudo, na atualidade, essa situação é diferente, visto que os maus-tratos aos animais ainda é um problema no cenário brasileiro. Diante dessa perspectiva, a banalização e a omissão governamental agravam esse fenômeno.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a naturalização como um obstáculo. Sob esse viés, segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir, “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nessa sentido, embora os maus-tratos aos bichos seja um ato de crueldade, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Desse modo, a banalização da temática, além de prejudicar o próprio animal, favorece questões alarmantes para a sociedade, entre elas a proliferação de zoonoses, ataques a pedestres, poluição ambiental, acidentes de trânsito e contribui também para a persistência e ignorância desse abandono. Logo, é inadmissível que esse cenário de mediocrização evidenciado pelo pensamento da filósofa Simone de Beauvoir continue a perdurar. Dado que, em 2019, pesquisa realizada pelo Ibope com duas mil pessoas apontou que 92% dos brasileiros já presenciaram abusos contra os animais, mas que somente 17% chegaram a denunciar os atos.

Ademais, é fundamental apontal a negligência governamental como impulsionadora desse contratempo. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante a integridade e proteção física dos bichos. Entretanto, a baixa atuação das autoridades auxilia na manutenção dos maus-tratos e dificulta a universalização do direito presente na Carta Constitucional. Nessa lógica, é primordial que medidas sejam implantadas para informar a população desse empecilho e incentivar a denúncia desses abusos. Assim, para a efetivação dos elementos elencados na Magna Carta e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, que tem como função regrar e organizar a sociedade, em parceria com as mídias, elaborar uma campanha publicitária, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão e mídias digitais, com o objetivo de estimular a denúncia e explicar as consequências dessa prática, a fim de buscar alternativar para combater os maus-tratos aos animais. Dessa forma, espera-se, que os animais sejam admirados e tratados com respeito como no Egito antigo.