Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 09/11/2021

O filme estadunidense “101 Dálmatas” retrata o roubo de cães filhotes pela vilã Cruella de Vil que, a fim de usá-los como matéria-prima para casacos de pele, os mantêm em condições precárias de sobrevivência. Fora da realidade cinematográfica, o enredo desse longa-metragem põe em pauta uma conduta nociva que persiste em fazer parte do corpo coletivo contemporâneo: os maus-tratos aos animais. Nesse sentido, é imperioso salientar os fatores contribuintes para a problemática, a saber, a falta de fiscalização governamental adequada e a lesiva cultura de superioridade do ser humano.

Sob esse viés, cabe ressaltar a insuficiência legislativa no que tange ao pouco supervisionamento como alicerce que sustenta o imbróglio. Com isso, é lícito mencionar a célebre teoria da “Instituição Zumbi”, em que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman critica a desestruturação funcional de alguns setores da sociedade. Nessa senda, essa máxima reverbera na conjuntura tupiniquim, já que, apesar dos maus-tratos aos animais serem considerados crimes no país, a negligência dos órgãos administrativos em controlar os hábitos danosos aos bichos engendra uma esfera propícia a realização desses atos cruéis, haja vista a falha normativa. Dessa forma, a subfiscalização do aparato estatal brasileiro confirma a tese Baumaniana, além de corroborar os malefícios advindos desse quadro.

Ademais, é imperativo pontuar a retrógrada visão antropocêntrica como elemento determinante para a permanência do estorvo. A partir disso, a ótica advinda do período renascentista de que o homem é o centro do universo e a mais perfeita criação da natureza ainda se conserva como herança histórica na coletividade hodierna, o que fomenta práticas prejudiciais à integridade animal. Nesse sentido, nota-se como a perspectiva de primazia do humano em relação aos demais seres vivos molda um panorama que possibilita os maus-tratos, a exemplo da existência de cativeiros clandestinos. Assim, a ideologia de submissão a que os bichos são submetidos revela a faceta obscura do tecido civil, além de refletir o egocentrismo e a ganância dos indivíduos, tal como representado pela personagem Cruella de Vil.

Verifica-se, portanto, a necessidades de medidas capazes de sanar esse grave cenário pátrio. Para tanto, urge que o Poder Executivo, importante gestor dos interesses públicos, viabilize, por intermédio de investimentos financeiros, um sistema de policiamento qualificado e eficiente no território canarinho, no intuito de minimizar, a longo prazo, os comportamentos abusivos aplicados aos animais. Outrossim, cabe às ONGs desenvolverem, mediante a arrecadação de verbas orçamentárias, sites e redes telefônicas, amplamente divulgados nas redes de comunicação de massa, que objetivem permitir à comunidade realizar denúncias e, dessa maneira, contribuir para a segurança dos animais. Destarte, tornar-se-ia viável formar um contexto que difere daquele apresentado na produção “101 Dálmatas”.