Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 10/11/2021
O escritor brasileiro Machado de Assis, do período do Realismo literário, em seu livro “Quincas Borba” narra, entre outros acontecimentos, o falecimento do proprietário de um cachorro, o qual era muito cuidado e amado por seu dono. Fora dos interíns ficcionais, poucos são animais que desfrutam de uma qualidade de vida análoga ao apresentado no livro, visto que a naturalização do comportamento violento e a objetificação dos seres contribuem para a questão dos maus-tratos.
Nessa conjuntura, convém enfatizar que a normalização de ações agressivas está entre as principais causas do revés. Para compreender essa lógica, pode-se mencionar a filósofa Hannah Arendt e seu conceito de “banalidade do mal”, que descreve o fenômeno de incorporação de certos valores culturais e políticos pela comunidade. Por esse viés, como resultado de um processo histórico de colonização, o tecido social brasileiro é marcado pela presença da violência, o qual é refletido pela maneira que determinados sujeitos lidam com outros seres, incluindo animais. Dessa forma, é evidente que essa característica ainda faz-se presente nas ações de alguns indivíduos da sociedade hodierna.
Ademais, é lícito postular que a mentalidade antropocêntrica é um dos principais fatores que agravam o impasse. Essa situação é exemplificada no longa-metragem “Okja”, que apresenta os interesses econômicos de uma empresa no animal de estimação da protagonista, desprezando o laço afetivo entre eles. Nesse sentido, a mentalidade de superioridade do homem em relação aos animais anula o sentimento de empatia para com os bichos, que reduz a dignidade animal como ser ausente de qualquer característica senciente e, desse modo, passível de crueldade. Dessarte, é notório que a prevalência desse pensamento ocasiona a questão vigente.
Depreende-se, em suma, a necessidade de ações para atenuar a problemática. Para tanto, com o objetivo de mitigar os efeitos do processo histórico de colonização, o Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Ministério da Educação, por meio das Superintendências Regionais de Ensino, deve planejar e promover debates em instituições de ensino acerca dos crúeis atos para com os bichos - que podem ocorrer, por exemplo, mensalmente durante o período letivo. Assim, mais animais poderão ter a satisfação de viver de maneira semelhante ao cão descrito pelo escritor realista do século XIX.