Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 17/09/2019
Em sua obra “Quincas Borba”, o autor realista Machado de Assis expõe em sua personagem principal um dilema: tratar o animal que recebeu de herança como um objeto e abandoná-lo, ou tratá-lo como um ser humano. Fora das páginas, é fato que coibir o maus tratos a animais é necessário, no entanto sua extrema humanização também pode ser maléfica. Dessa forma, é inexorável entender como a influência de um passado colonizador somado a influências do novo século fazem com que diretrizes precisem ser tomadas para a proteção dos animais.
A princípio, reconhece-se como a história do Brasil tem fundamental papel para o início dos maus tratos aos animais nesse território. Segundo o sociólogo Florestan Fernandes, a colonização lusíada calcou marcas praticamente inalteradas ao longo das gerações brasileiras – comportamentos como a caça de animais exóticos e a destruição da flora e consequentemente da fauna, ainda não são vistos como um malefício por grande parcela da sociedade. Logo, torna-se inconcebível acreditar que políticas contrárias aos maus-tratos animais sejam eficientes se, em suma, a população civil ainda é passiva perante essa causa.
Além disso, o próprio zelo exacerbado com os “pets” sob uma ótica materialista é capaz de ampliar esses malefícios de maneira quase imperceptível. Acerca disso, rememora-se o conceito de necessidades humanas e animais, explorado pelo psicólogo Abraham Maslow em seus estudos no século XX. De acordo com ele, as necessidades básicas de qualquer animal são as fisiológicas e, em alguns casos, a de socialização. Todavia, a capacidade de autorrealização e a utilização de aparatos sociais como roupas e sapatos são nocivos a raças que não são humanas, pois vão de encontro às necessidades básicas dos animais. Portanto, até mesmo a extrema humanização dos pets pode ser maléfica e considerada como maus-tratos.
Destarte, é perceptível que busca por conhecimento evitando a inércia de informações sob a causa animal é imprescindível. Para tanto, faz-necessário que o Ministério da Educação, em parceria com órgãos de auxílio aos animais, crie aulas especiais, por meio da grade curricular de matérias como Ciências e Biologia, que contemplem a ótica histórica do extrativismo animal no Brasil e culmine no entendimento de como conciliar o carinho pelos animais com suas restrições fisiológicas. Essas aulas, poderiam ter a participação de profissionais como veterinários e agentes de saúde para que, dessa maneira, o dilema narrado em Quincas Borba possa ser esclarecido já na primeira socialização dos discentes brasileiros.