Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 10/09/2019

Brás Cubas – o defunto autor de Machado de Assis – afirma que não tivera filhos para não transmitir a miséria humana a nenhuma criatura. Nesse sentido, hodiernamente, talvez ele percebesse acertada sua decisão: Os maus-tratos aos animais constituem uma das faces mais hipócritas da sociedade brasileira. Com efeito, a situação se agrava pela má distribuição de renda associada ao crescimento das demandas de consumo da população.

Em primeiro plano, é notório que muitos brasileiros não tem boas condições financeiras e veem, em vias ilegais, alternativas para um mínimo de dignidade. A esse respeito, o filme Rio retrata caçadores que tem a captura de espécies protegidas como fonte de renda e que estão frequentemente sonhando em ascenderem socialmente por meio da caça da Arara Azul. Ocorre que, além deles propiciarem grande sofrimento aos animais, colaboram com a extinção de várias espécies. Com isso, é paradoxal que um país que tenha a dignidade humana como direito constitucional, tenha a falta dela como causa de problemas como o apresentado.

Ademais, a Revolução Industrial e o crescimento populacional aumentaram as demandas de consumo da sociedade. Nesse contexto, torna-se necessário ampliar as áreas produtivas no campo. Todavia, esse processo não é realizado de forma amigável, ao contrário, áreas de floresta nativa são queimadas, gerando a extinção e a destruição do habitat de várias espécies. Assim, é contraditório que o Brasil, com uma das maiores diversidades naturais do mundo, tenha o carro chefe de sua economia, a produção rural, como o principal inimigo dos animais.

Urge, portanto, que se encerre a exploração animal. Deste modo, a Secretária Nacional de Desenvolvimento Econômico, junto ao Grupo S, deve criar alternativas à ilegalidade para a obtenção de renda em populações periféricas permeante a criação de cursos profissionalizantes a fim de capacitar essas pessoas para o mercado de trabalho. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, conscientizar as futuras gerações por meio da inserção de aulas de ética no currículo escolar a fim de que se promova o debate sobre a influência do consumo exacerbado na vida animal.