Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 09/08/2019

Na mitologia grega, geralmente a imagem dos deuses era atribuída a animais, fato que compreende a importância e admiração, naquela época, destinada a esses seres. Na contemporaneidade, entretanto, observa-se, no Brasil, uma realidade distante da grega, uma vez que o individualismo do homem, atrelado aos seus interesses econômicos, vão de encontro às práticas de proteção a esse grupo. Diante disso, cabe analisar soluções para se alcançar o combate aos maus-tratos para com os bichos.

É relevante elencar, em primeiro plano, a constituição da sociedade moderna, calcada no egocentrismo, como fator preponderantemente responsável pelo descaso com os animais. Sob esse viés, o sociólogo Zygmunt Bauman proferiu, em sua obra “Modernidade Líquida”, a ocorrência de grupos configurados como “zumbis”, os quais atuam na estrutura social, mas estão inertes no que tange a determinadas situações. Com efeito, isso é notório quando se coloca em xeque o fato das agressões aos animais, sobretudo domésticos e de rua, só crescerem, evidenciando, portanto, que os autores dessas práticas além de não estarem sofrendo punição, reincidem nos atos porque medidas para reverter esse quadro não são tomadas. Cabe, então, aos órgãos competentes, a intervenção.

Concomitantemente, ao passo em que os interesses econômicos e individuais sobressaem-se em detrimento da humanização, espera-se o agravamento desse impasse. Paralelamente, o filósofo Karl Marx denuncia, em suas análises, que o mundo capitalista prioriza lucros, não valores. De fato, é constatado esse panorama no Brasil, pois os indivíduos legitimam o comércio de animais, principalmente de estimação e raças estrangeiras, e mantém, nas ruas, aqueles que outrora foram abandonados e, por isso, são condenados a sobreviverem expostos à fome e violência, especialmente física, que culmina na morte desses. Nesse contexto, a criação de barreiras à comercialização é, em primeira instância, um passo importante no que alude à reversão dessa realidade.

Sendo assim, é imprescindível, primordialmente, a construção de delegacias especializadas para receber denúncias inerentes aos maus-tratos aos animais, bem como para inserir, nas ruas, câmeras que identifiquem e controlem tais atos, por meio da ação conjunta entre IBAMA, cabendo a este projetá-las e fiscalizá-las, e Governo Federal, sendo este responsável pelo financiamento, a fim de atenuar esse entrave. Ademais, o Poder Legislativo deve atuar em conjunto com as empresas de “pet-shop”, criando uma emenda que acrescente aos valores dos bichos uma quantia que, posteriormente, seja destinada à criação de um instituto para animais abandonados. A partir disso, a adoção será mais viabilizada e o ideal grego poderá ser trazido para a realidade brasileira.