Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 10/08/2019
O filme norte-americano “Água para Elefantes”, relata a história da elefanta Rosie, a qual trabalha no circo dos irmãos Benzini e destaca-se como a grande estrela do espetáculo. Nesse sentido, a narrativa foca na rotina agitada dos bichos e expõe as péssimas condições que eles são submetidos, tais como: treinamentos exaustivos, agressões físicas e alimentação limitada. Fora da ficção, esse cenário de maus-tratos aos animais também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um problema governamental, visto que – seja pela negligência popular, ora pela ineficiência estatal – compromete o bem-estar desses seres e impede um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
A princípio, cabe analisar o papel negligente da população sob a visão da filósofa alemã Hannah Arendt. Segundo a autora, a sociedade sustenta práticas deploráveis simplesmente por não analisar a repercussão desses atos. Analogamente, na medida que parte da sociedade ignora cuidados e utiliza os animais para produzir lucros – como em rodeios, vaquejadas, pescas esportivas e serviços urbanos de esforço excessivo –, acaba por ampliar práticas de maus-tratos que negligenciam condições básicas de higiene e nutrição. Por consequência, cada vez mais cidadãos prejudicam a qualidade de vida desses seres vivos e auxiliam na criação de transtornos físicos e psicológicos.
Ademais, além a negligência popular, a ineficiência do governo também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do filósofo inglês John Locke. Segundo o autor, todos os seres vivos presentes em uma sociedade possuem o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Dessa forma, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucas campanhas de fiscalização aos direitos preservacionistas dos animais, as quais, frequentemente, concedem punições brandas em traficantes de espécies e não conseguem impedir a exploração trabalhista desses bichos. Logo, observa-se uma deficiência legislativa para proteger os animais em seus habitats naturais, o que facilita o desequilíbrio ecológico pelo Brasil.
Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, ONGs ecológicas, com apoio do Ministério do Meio Ambiente, devem difundir esse assunto no meio social, de modo que biólogos voluntários possam orientar os cidadãos sobre hábitos de cuidados aos animais, além de informar como é prejudicial submetê-los a serviços em espetáculos e esforços exaustivos. Dessa forma, será possível diminuir os casos de maus-tratos e assegurar qualidade de vida aos bichos. Adicionalmente, o governo, por meio de verbas públicas, deve fortalecer e ampliar campanhas para fiscalização dos direitos garantidos aos animais, a fim de punir, severamente, vendas ilegais de espécies e combater práticas que exploram negativamente esses seres, assim como as do filme “Água para Elefantes”.