Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 10/04/2019
No contexto brasileiro, espécies animais são recorrentemente submetidas à crueldade humana, o que configura uma alarmante intempérie social no país. Sob esse viés, a ineficácia governamental e os atos de abandono destacam-se como fatores determinantes na questão, os quais corroboram consequências vis na qualidade de vida dos bichos. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados, com o escopo de combater essa adversa conjuntura.
Efetivamente, a ineficiência do Estado é notada, sobretudo, na ocorrência do tráfico de animais, inclusive de espécies mais raras, prática que favorece o cenário dos maus-tratos. Essa circunstância, assim como retratada no filme “Tainá”, que apresenta uma tentativa de tráfico na Amazônia, evidencia a péssima situação dos cativeiros, os quais propiciam a disseminação de doenças que interferem decisivamente na apropriada condição de existência desses seres. Contrariamente ao filme, muitas vezes, a punição dos infratores não é efetivada, fato que potencializa a persistência de delitos similares, além de descumprir diretrizes constitucionais que protegem os bichos, como a Lei de Crimes Ambientais, e de contribuir para a redução da diversidade da fauna nacional.
Ademais, o abandono de animais intensifica o quadro de perversidade, uma vez que os bichos são são privados do fácil acesso à água e à alimentação, e são expostos a situação de perigo e de violência nas ruas. A exemplo disso, verifica-se o caso do cachorro “Manchinha”, morto por um funcionário da “Carrefour” após sucessivas agressões. Nessa perspectiva, observa-se que a falta de ambientes que acolham esses seres negligenciados e as minimizadas denúncias pela comunidade oportunizam a continuidade de maldosas ações, rompendo com o harmônico senso comum do “cão como melhor amigo do homem”.
Destarte, é essencial viabilizar meios para o combate dessa deturpada relação entre o homem e os indefesos seres. Para tanto, é impreterível que o Poder Público, importante órgão regulador da sociedade, mediante fiscalizações frequentes em áreas de risco, como na Amazônia, efetive a aplicação da legislação vigente, a fim de reduzir o tráfico de animais e, consequentemente, suprimir os atos de crueldade envolvidos. Concomitantemente, é imprescindível que as ONGs adeptas à causa dos bichos, por meio do financiamento municipal, construam centros de abrigo para animais e realizem programas de estímulo à adoção e à denúncia de casos de maus-tratos, com o escopo de propiciar aos seres em destaque um destino diferente daquele do “Manchinha”.