Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 24/10/2018
No limiar do século XXI, os maus tratos direcionados aos animais aparecem como alguns dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que muitos animais são expostos a situações degradantes, como a tortura. Nesse contexto, é indispensável salientar que a omissão do poder público e da sociedade está entre as causas da problemática, haja vista que o tema não é amplamente debatido e os esforços para acabar com a violência contra os animais em atrações populares são ínfimos. Diante disso, vale discutir as motivações para a relativização dos maus tratos aos animais e a importância da educação para a evolução do país.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que algumas tradições culturais colaboram para a continuação da violência contra os animais. No início do século XVII, a partir do desenvolvimento das atividades pecuários - criação de gado e “tropeirismo” -, surgiu uma atração popular que, nos atuais, é conhecida como “vaqueijada”. Nesses espetáculos, uma pessoa montada em um cavalo tenta derrubar um bovino - boi ou vaca. De maneira análoga, além de proporcionar maus tratos a ambos animais, a atividade em questão também colabora para a perpetuação dessa prática cultural, na medida em que torna-se mais popular. Seguindo essa linha de raciocínio, o sociólogo Alexander Von Humboldt sustenta a ideia de que o tratamento para com os animais é reflexo da sociedade. Dessa forma, faz-se necessário uma interferência pedagógica nos valores da sociedade.
Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. Nesse sentido, o educador Paulo Freire defende o pensamento de que, se a educação não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Fazendo jus a esse conceito, é imprescindível a conscientização da população sobre a realidade dos animais que são violentados, de maneira a fomentar as denúncias. Nessa ótica, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que os matadouros, as “rinhas de galo”, as “vaqueijadas” e o tráfico de animais silvestres são os ambientes e as práticas que mais testemunham casos de maus tratos aos animais - o que inclui a tortura. Em consequência dos fatos elencados, é imperativo uma maior adesão popular para que, por meio das denúncias, o poder público possa atuar no âmbito da solução desse impasse.
Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para localizar e, posteriormente, acabar com os maus tratos aos animais. Cabe ao Ministério Público disponibilizar um “website” na “internet” e um número telefônico para facilitar as denúncias e informar a população sobre a realidade dos animais que são submetidos a práticas violentas. Nesse portal digital, o anonimato será preservado para incentivar a adesão popular. Espera-se, com isso, que mais animais sejam salvos de situações degradantes.