Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 21/10/2018
Em sua obra “O Cortiço”, Aluísio Azevedo busca evidenciar aquilo que a biologia já constatou: há grande semelhança entre o ser humano e outros animais. Dessarte, por intermédio da zoomorfização, o autor ressalta os comportamentos instintivos, bem como os aspectos emocionais, comuns aos homens e às demais espécies. Contudo, a máxima naturalista parece contrastar com os conceitos atuais, uma vez que os indivíduos se consideram superiores a outrem e adotam práticas de superexploração e indiferença que precisam ser extintas.
Primeiramente, convém ressaltar o valor atribuído aos animais no Egito Antigo, no qual vários deuses eram representados por figuras animalescas. Entretanto, essa admiração tornou-se arcaica, visto que, hodiernamente, esses seres são usados de maneira hiperbólica para servir ao homem. Nesse viés, inserem-se os métodos torturantes aos quais os animais são submetidos no processo de teste e fabricação de novos produtos, que, muitas vezes, envolvem maus-tratos e o sacrifício das cobaias; prova disso é que, segundo a Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), mais de 100 milhões desses seres morrem anualmente em procedimentos científicos que visam à produção de mercadorias. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de intervir nessas técnicas para que coexistam os avanços tecnológicos e o respeito à vida.
Ademais, assim como o progresso da ciência favorece o sofrimento, o abandono e a sequente superlotação de abrigos corroboram o mesmo fator. Nesse contexto, é possível afirmar, em consonância com o pensamento de Schopenhauer, que a compaixão pelos animais está associada à bondade de caráter. Sendo assim, ao cometer um abandono, o homem demonstra um comportamento brutal, e a população, ao não denunciar a prática, torna-se conivente com tal ato. No entanto, o desamparo torna-se cada vez mais frequente, e os abrigos, por falta de recursos devido à sobrelotação, não conseguem acolher todos esses seres que, conforme a ANDA, apresentam uma taxa de mortalidade de 2,7 milhões ao ano em decorrência desse fato.
Urge, portanto, a amenização do sofrimento animal. Para tal, é conveniente que o Poder Legislativo crie leis que impulsionem as indústrias a substituírem a prática de testes em animais por testes em máquinas, e, de igual modo, é necessário que cada cidadão selecione os produtos que consumirá, com o fito de não financiar empresas que cometem barbáries com bichos. Outrossim, cabe ao Governo, por meio do Ministério do Meio Ambiente, criar políticas de investimentos em abrigos de animais, para que seja reduzido o índice de mortes. Assim, os seres vivos terão dignidade e o homem entenderá que, como proposto no Naturalismo, a semelhança entre o ser humano e outras espécies é incontestável.