Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 20/10/2018
Em sua obra “O Cortiço”, Aluísio Azevedo busca evidenciar aquilo que a biologia já constatou: há grande semelhança entre o ser humano e outros animais. Dessarte, por intermédio da zoomorfização, o autor ressalta os comportamentos instintivos, bem como os aspectos emocionais, comuns aos homens e às demais espécies. Contudo, a máxima naturalista parece contrastar com os conceitos atuais, uma vez que os indivíduos se consideram superiores a outrem e adotam práticas de superexploração e indiferença que precisam ser extintas.
Primeiramente, convém ressaltar o valor atribuído aos animais no Egito Antigo, no qual vários deuses eram representados por figuras animalescas. Entretanto, essa admiração tornou-se arcaica, visto que, hodiernamente, esses seres são usados de maneira hiperbólica para servir ao homem. Nesse viés, inserem-se os métodos torturantes aos quais os animais são submetidos no processo de teste e fabricação de novos produtos, que, muitas vezes envolvem maus tratos e o sacrifício dos cobaias; prova disso é que, segundo a Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), mais de 100 milhões desses seres morrem anualmente em procedimentos científicos que visam à produção de mercadorias. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de intervir nessas técnicas para que coexistam os avanços tecnológicos e o respeito à vida.
Ademais, assim como o progresso da ciência favorece o sofrimento, o abandono e a sequente superlotação de abrigos corroboram o mesmo fator. Nesse contexto, é possível afirmar, em consonância com o pensamento de Schopenhauer, que a compaixão pelos animais está associada à bondade de caráter. Sendo assim, ao cometer um abandono, o homem demonstra um comportamento brutal, e a população, ao não denunciar a prática, torna-se conivente com tal ato. No entanto, o desamparo torna-se cada vez mais frequente, e os abrigos, por falta de recursos e investimentos, não conseguem acolher todos esses seres que, conforme a ANDA, apresentam uma taxa de mortalidade de 2,7 milhões ao ano em decorrência desse fato.
Urge, portanto, a amenização desse mal. Para tal, cabe às indústrias substituírem a prática de testes em animais por testes em máquinas, e, de igual modo, é necessário que cada cidadão selecione as marcas e produtos que consumirá, com o fito de não financiar empresas que cometem barbáries com bichos. Outrossim, é conveniente que o Governo crie políticas de investimentos em abrigos de animais e instaure, por meio do Poder Legislativo, multas e medidas punitivas aos indivíduos que os abandonam. Assim, todos os seres vivos terão igual dignidade e o homem entenderá que, como proposto no Naturalismo, a semelhança entre o ser humano e as outras espécies é incontestável.