Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 15/10/2018
Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis,diz em suas Memórias Póstumas que não teve filhos para não transmitir a nenhuma criatura o legado da miséria do ser humano. Talvez ,hoje, ele percebesse acertada a sua decisão, tendo em vista que a postura de muitas pessoas frente ao cuidado com os animais é uma das faces mais perversas em uma sociedade imediatista,já que esses estão sendo maltratados. Portanto, alternativas devem ser adotadas para resolver o problema em questão.
Em primeiro plano, segundo o sociólogo Zygmunt Baumam,na sociedade contemporânea, as relações são líquidas e inteligíveis, na medida em que emergem o individualismo e a efemeridade das relações. Decerto, esse quadro tem grande influência no que diz respeito aos maus-tratos contra os animais, pois o vínculo entre eles e os homens tornam-se enfraquecidos, levando ao abandono desses. A exemplo disso,pode-se citar a França, essa que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apresenta um alto número de bichos abandonados no período de férias , dessa forma, gerando um elevado índice nas estatísticas de animais mortos por atropelamento ou por fome.
Ademais, o Brasil não fica isento de problemas desse gênero, haja vista que até foi sancionado uma lei que condena qualquer ato de maus-tratos aos animais. Porém, mesmo com essa promulgação ainda é frequente as agressões sofridas pelos bichos, já que de acordo com uma reportagem do jornal online da rede globo, no ano de 2017, a ONG da ativista Luiza Mell resgatou cerca de 135 cachorros em Osasco, os quais apresentavam sinais de agressões físicas, tinham fezes grudadas no pelo e não comiam à dias. Nota-se, que o quadro relatado acima é, muitas vezes, reflexo da falta de fiscalização por órgãos responsáveis perante ao problema, o que gera a impunidade e o não cumprimento da lei.
Por fim, é obrigação do Estado aliado às instituições de ensino, por intermédio de palestras e debates, mostrar para a população a importância da preservação da integridade dos animais, tendo em vista que esses, mesmo sendo irracionais, sofrem sentimentalmente .Dessa maneira, podendo acabar com o individualismo e as relações efêmeras expostas por Baumam e evitando que casos de abandono, como o da França, se repitam. O Governo tem como dever, também, por meio de fiscalizações ativas, promover visitas periódicas em canis (entre outros lares que tenham animais) para que episódios de agressões ,a exemplo do encontrado pelo ONG da Luiza Mell, sejam extinguidos, além de que, no caso do Brasil, tal ação garante o cumprimento da Constituição. A soma de tais alternativas é de extrema importância para acabar com os maus-tratos aos bichos e fazer com que pensamentos similares ao de Brás Cubas não se perpetuem.