Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 28/09/2018

Na Antiguidade, mormente em Roma, animais eram explorados, sacrificados e até mesmo executados em práticas religiosas e grandes espetáculos ocorridos no Coliseu. De modo análogo, no cenário brasileiro hodierno, não obstante leis tenham sido sancionadas em prol de proteção a eles, é ainda latente o ignominioso quadro de maus tratos. Dados apontam que em 2017, acresceu-se 550% a taxa que compreende esses crimes de violência no país. Infere-se, pois, uma vexatória displicência do poder governamental e uma ilegítima conduta da população conivente com essas transgressões.

Sob ótica de Karl Marx, o capitalismo prioriza lucros em detrimento de valores. Congeneremente, é incontrovertível, pois, relacionar a mercantilização e o entretenimento às origens desse imbróglio. Conquanto preguem promover apenas a diversão dos visitantes, zoológicos e atrações turísticas representam uma das maiores ameaças. Além dos altos preços, as condições, majoritariamente, precárias e incompatíveis com as necessidades ambientais e físicas dos bichos, são mascaradas e omitidas para quem está por trás dos portões. Exceção à isso, o documentário norte-americano Blackfish expôs crueldades envolvendo baleias no famoso parque SeaWorld, em Orlando, destino mais frequente dos brasileiros, sobretudo, durante as férias.

Perante última análise, a máxima de Mahatma Gandhi, que reitera a ideia de que a grandeza de uma nação pode ser julgada pela forma como trata as espécies, sintetiza outro espeço desse cenário. O tráfico animal, caracterizado por ser a quarta atividade ilícita mais cometida no mundo, movimentou sete bilhões de reais nos últimos dez anos no Brasil. Devido à pechosa, ou até inexistente, fiscalização das áreas de preservação e das fronteiras, aliada à nímia biodiversidade, as rotas despertam interesses de criminosos dentro e fora do país. Esse crime compromete uma das maiores riquezas do território nacional, corrobora não só com o risco de extinção de espécies, mas também com a morte, já que 40% vêm a óbito durante os contrabandos.

Dessarte, urge enfrentar esse óbice, a fim de preservar a heterogeneidade biológica do país. Incumbe ao IBAMA fiscalizar austeramente os zoológicos e interditá-los, caso necessário, para estar a par das condições locais e evitar que os bichos tenham direitos infringidos, além de promover campanhas, junto à mídia, expondo os cruéis bastidores de lugares imprudentes, visando a reduzir a taxa de pessoas corroborando com esse estorvo. É substancial que o Governo Federal invista na segurança nas áreas endêmicas e nas fronteiras, em prol da extinção das atuais rotas, através de patrulhas constantes e investigações. Em suma, objetiva-se alcançar a nação grandiosa, citada por Gandhi, onde as espécies vivem harmonicamente e o homem é quem zela pelo patrimônio vivo nacional e não o autodestruidor.